Gastança do governo federal é o grande mal do Brasil, diz Zema

No terceiro mandato de Lula, os gastos extraordinários devem somar cerca de R$ 324 bilhões

Stêvão Limana e Leticia Martins, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, nesta quarta-feira (20), que a gastança do governo federal é a "causa de todos os males do Brasil".

"Precisamos ter um plano consistente de atacar essa gastança, que é o grande mal do Brasil, que faz a inflação ficar acima do que deveria e principalmente faz com que a taxa de juros vá lá pra as alturas, freiando com freio de mão os investimentos", disse Zema após evento em São Paulo.

"A causa de todos os males do Brasil, posso afirmar, com certa certeza, é a gastança da União. É um circulo vicioso que ela provoca e causa danos em todo o sistema econômico. Enquanto isso não for solucionado, o Brasil vai continuar patinando, perdendo participação na economia mundial", acrescentou.

Segundo informações do Ministério do Planejamento e Orçamento, divulgadas na última terça-feira (19), os benefícios creditícios, tributários e financeiros concedidos pelo governo federal somaram R$ 678 bilhões em 2024.

O total de subsídios da União correspondeu a 5,78% do PIB (Produto Interno Bruto), abaixo do registrado em 2023, quando chegou a 6,10%.

Entre as três modalidades de subsídios, houve redução nos benefícios creditícios (-0,42% do PIB em 2024) e tributários (4,80%) e aumento nos financeiros (0,55%).

Do valor total, 83,1% dos subsídios foram tributários, 9,6% financeiros e 7,3% creditícios.

Gastos fora da meta fiscal

No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os gastos extraordinários, ou seja, despesas que ficaram de fora das regras ficais, devem contabilizar mais de R$ 300 bilhões.

Entre 2023 e 2025, os gastos extras devem somar cerca de R$ 324 bilhões. Grande parte do valor foi descontado em 2023, após aprovação da PEC da Transição e com o pagamento de precatórios, que contribuíram para a maior parte do montante, com R$ 241,3 bilhões.

Os dados foram levantados pela Instituição Fiscal Independente (IFI) a pedido do jornal Poder 360 e confirmados pela CNN.

*Com informações de Gabriel Garcia, Jonatas Martins, Pedro Zanatta e Fabrício Julião