Gleisi diz que licença para Margem Equatorial vem após "5 anos de estudos"

Na última segunda (20), Petrobras recebeu licença do Ibama para perfuração de um poço exploratório na região, encerrando impasse entre a estatal e o órgão

Rafael Villarroel, da CNN Brasil*, São Paulo
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann  • Divulgação/SRI
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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou nesta terça-feira (21) que a licença dada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a exploração da Margem Equatorial veio após "5 anos de estudos audiências públicas e medidas de proteção ambiental adotadas pela Petrobras", além de dizer que todos os requisitos foram cumpridos em um processo "rigorosamente técnico e transparente".

Na última segunda (20), a Petrobras informou que recebeu a licença de operação do Ibama para a perfuração de um poço exploratório na região.

"O Ministério do Meio Ambiente destaca que o Ibama 'exigiu os aprimoramentos indispensáveis, sobretudo nas medidas de resposta a emergências' (...) Todas as exigências foram cumpridas, num processo rigorosamente técnico e transparente, sem precedentes na indústria do petróleo em qualquer país do mundo", escreveu a ministra em uma publicação na rede social X (antigo Twitter).

Veja:

 

A fala de Gleisi ocorre em meio ao enceramento da disputa se arrastava há quase cinco anos entre a estatal e o Ibama.

O embate expôs a tensão entre a política de expansão da exploração de petróleo e os compromissos ambientais assumidos pelo governo.

Em abril, durante visita a lideranças indígenas no parque Xingu, Lula ouviu do cacique Raoni, líder do povo Kayapó, reconhecido internacionalmente pela luta das causas indígena e da Amazônia, para não explorar petróleo na Foz do Rio Amazonas.

O cacique defende manter as coisas do jeito que estão para garantir “que a gente tenha um meio ambiente, a terra com menos poluição e menos aquecimento”.

Para a operação, o Ibama estabeleceu uma série de condicionantes, incluindo o monitoramento em tempo real, protocolos de emergência e 13 embarcações de apoio prontas para contenção de vazamentos.

Em contra-partida, Petrobras afirmou que montou a maior estrutura de resposta ambiental do país e que a perfuração seguirá “os mais altos padrões internacionais de segurança”.

Margem Equatorial

A Margem Equatorial é uma faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, com características geológicas semelhantes às áreas produtoras da Guiana e do Suriname, onde foram descobertas grandes reservas de petróleo.

Estimativas da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) apontam um potencial de até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. Para a Petrobras, trata-se de uma nova fronteira estratégica para repor reservas e sustentar a produção nas próximas décadas.

Segundo a Petrobrás, o ponto de perfuração está localizado em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do rio Amazonas e a 175 km da costa.

A sonda se encontra na locação do poço e a perfuração está prevista para ser iniciada imediatamente, com a duração estimada de cinco meses, informou a estatal.

A exploração foca em buscar informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica, a estatal informou, ainda, que não deve haver extração de petróleo nessa primeira fase.