Governadores defendem voto eletrônico e criticam ataques ao Judiciário

Romeu Zema (MG); Helder Barbalho (PA) e Renato Casagrande (ES) criticaram nesta quarta-feira (4) a PEC do voto impresso

Boletim de urna impresso pela urna eletrônica
Boletim de urna impresso pela urna eletrônica Foto: Reprodução/TSE

Teo Cury, da CNN, em Brasília

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Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), criticaram nesta quarta-feira (4) a PEC do voto impresso e expressaram confiança no sistema eleitoral brasileiro.

Os três também defenderam a harmonia entre as instituições e criticaram as investidas de Jair Bolsonaro (sem partido) contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

As críticas dos governadores à proposta defendida por Bolsonaro e seus aliados acontecem em meio aos ataques feitos pelo presidente a ministros do STF que integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e às recorrentes falas do presidente, que vem levantando dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, sem apresentar provas de eventuais fraudes.

Os governadores conversaram com jornalistas depois de participarem de um evento realizado em Brasília, em que Estados e municípios firmaram o compromisso de zerar a emissão de carbono até 2050.

“Eu sou totalmente favorável ao voto que já me elegeu, que elegeu diversos governadores, ex-presidentes. Eu não imprimo a minha conta bancária, não imprimo o extrato do meu cartão de crédito e acho que 99% da população não faz isso, o meio digital veio pra ficar, existe auditoria digital. Então é o mundo moderno!”, disse o governador Romeu Zema. “Hoje nós não usamos mais papel carbono, eu acho que querer imprimir é a mesma coisa que não confiar numa copiadora e querer papel carbono. Então nós temos de olhar para o futuro”, afirmou.

O governador mineiro também criticou a crise institucional que foi intensificada com os ataques de Bolsonaro ao presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, defensor do sistema eleitoral em vigor no Brasil. “Eu lamento muito, porque isso não coloca arroz e carne, feijão no prato do brasileiro, e também não coloca vacina no braço. Eu vejo isso semelhante a uma guerra civil. Nós precisamos é de união, de diálogo e de resolver o problema desse povo tão sofrido! Tanto o mineiro, quanto o brasileiro. É hora de nós trabalharmos em prol de reformas, em prol de um Brasil do futuro. E não ficarmos aí com polêmicas que eu julgo totalmente desnecessárias”, afirmou.

Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, disse não haver necessidade de o Brasil adotar o voto impresso nas eleições e lembrou que nenhuma fraude foi constatada em eleições que usaram as urnas eletrônicas.

“Não há necessidade do voto impresso. Esse é um assunto que não tem tanta importância como está se dando, porque nós já temos eleições que já foram feitas. Não teve um questionamento objetivo, não tem nenhum fato concreto com relação ao questionamento. É um debate que pode ser feito, mas não tem a prioridade que está se colocando e não tem a mobilização que quer se fazer em torno desse tema”, disse.

O governador do Espírito Santo também classificou os ataques feitos por Bolsonaro como sendo algo “muito ruim para a democracia brasileira”. De acordo com Casagrande, os ataques às instituições aumentam a instabilidade interna e externa.

“Muito ruim para a democracia brasileira. Os países só prosperam quando têm estabilidade institucional e, infelizmente, desde o primeiro momento do governo do presidente Bolsonaro tem tido confrontos entre o Poder Executivo e as demais instituições. Era com o Congresso, agora é com o TSE, já foi com o Supremo, então esse tipo de comportamento é muito ruim para a democracia brasileira, isso cria instabilidade interna e externa”, disse.

“Capital estrangeiro foge do Brasil, então assim, nós estamos em um ambiente de confronto permanente. É o estilo do presidente Jair Bolsonaro, mas é um estilo que não ajuda o país”, concluiu Casagrande.

Já Helder Barbalho, governador do Pará, ressaltou sua confiança no processo eleitoral, disse que o sistema de votação do Brasil é referência internacional e que o modelo que está em vigor e o TSE devem ser fortalecidos.“O Brasil é uma referência no seu modelo de voto, no seu modelo eleitoral. E nós devemos fortalecer este modelo e, acima de tudo, devemos fortalecer o TSE”, disse.

Em meio às investidas de Bolsonaro ao presidente do TSE, Barbalho destacou a importância de o país “apostar em uma relação harmônica entre os Poderes”. O governador afirmou ainda que o país deve concentrar seus esforços no combate ao desemprego e à desigualdade social, na busca pela justiça em favor da população e no combate à pandemia, considerados por ele os “verdadeiros adversários” do Brasil.

“Compreendo que o Brasil pode, sim, aprimorar o uso da tecnologia, mas tenho absoluta confiança na credibilidade do processo eleitoral brasileiro, e devemos cada vez mais apostar em uma relação harmônica entre os Poderes, seja o Poder Executivo nacional, sejam os Poderes Executivos locais junto ao Poder Judiciário, junto ao Legislativo e ao Ministério Público e todos buscarem a harmonia”, disse.

A reportagem da CNN entrou em contato com o Palácio do Planalto, que ainda não se pronunciou sobre as declarações dos governadores.

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