Governo aposta em discurso de corte de gastos para “driblar” oposição
Deputados cogitam incluir “jabuti” em projeto sobre falsificação de bebidas

O Palácio do Planalto demonstra otimismo para retomar na Câmara dos Deputados pontos da medida provisória sobre as alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que caducou sem ser votada.
Uma das possibilidades é incluir um “jabuti” – amarrado com o discurso de corte de gastos – na proposta no projeto de lei que torna crime hediondo a adulteração de bebidas. No jargão legislativo, jabuti é a inclusão de uma “proposta x” em um projeto que não tem qualquer relação com o tema.
O texto sobre bebidas adulteradas já teve o regime de urgência aprovado e deve estar na pauta do esforço concentrado previsto para a próxima semana. A estratégia da base do governo é deixar a oposição sem argumento para barrar um texto que propõe contenção de despesas.
Nesta quinta-feira (23), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), chegou a dizer que a pauta de cortes de gastos é uma "questão ideológica" do partido. Mesmo assim, a bancada tende a resistir a entregar votos ao Executivo. Segundo o próprio Sóstenes, a sigla não vê "seriedade" nas matérias elaboradas pela Fazenda.
"Não daremos [os votos] porque isso é chicana, não é solução de corte de gastos. O governo precisa de verdade cortar gastos. Ele quer usar chicana econômica e achar que o Parlamento é passado para trás com facilidade", disse a jornalistas.
Pauta da Casa
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou nesta quinta (23) que a pauta de cortes é um interesse comum e independente de interesses partidários. Logo, precisa avançar. “É a pauta da Casa”.
A fala vem um dia depois do mesmo Hugo Motta afirmar que a relação do governo com o Congresso “ainda tem muito o que melhorar”, destacando que o prazo para votação do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) está "bem apertado".


