Governo aposta em fim de inquérito e prepara promoção de Ramagem

Atual dirigente da Abin foi um dos principais personagens da crise entre Bolsonaro e Moro em torno da Polícia Federal

Caio Junqueirada CNN

em São Paulo

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O governo aposta que a Polícia Federal deverá inocentar o presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga se ele interferiu no órgão. O inquérito foi aberto a partir das acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

A eventual absolvição de Bolsonaro deve abrir caminho para que o atual dirigente da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, Alexandre Ramagem seja promovido. Ramagem é peça chave na acusação feita pelo ex-ministro. No Planalto, fala-se na possibilidade de ele assumir o Ministério da Justiça se Anderson Torres deixar o cargo para disputar as eleições de 2022. Ou algum outro cargo próximo a Bolsonaro.

Ramagem foi um dos principais personagens da crise entre Bolsonaro e Moro em abril de 2020. Em depoimento em maio daquele ano, Moro disse à Polícia Federal que Bolsonaro queria indicar Ramagem para o comando da PF, mas que o então ministro da Justiça rejeitou pela ligação dele com o presidente.

Ramagem foi segurança pessoal de Bolsonaro na campanha de 2018 e virou amigo da família. Em depoimento à PF neste mês, Bolsonaro disse foi Moro quem condicionou aceitar Ramagem na PF em troca de uma caga no Supremo Tribunal Federal. Moro nega.

O inquérito caminha para a conclusão. A PF deverá nos próximos dias começar a redigir o relatório final que será encaminhado ao relator, ministro Alexandre de Moraes, e posteriormente ao procurador-geral da República, Augusto Aras.

No Palácio do Planalto, é certo que o relatório da PF inocentará Bolsonaro e o PGR arquivará a investigação. Além de promover Ramagem, o governo também, pretende utilizar o eventual arquivamento contra Moro na campanha eleitoral de 2022.

Em razão disso, já há uma movimentação nos bastidores para que Ramagem deixe a Abin. Nos últimos dias, algumas alterações em postos-chave na agência vêm sendo apontadas no próprio governo como sinais de que Ramagem prepara o terreno para deixar um sucessor, que seria o recém-empossado Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho, um delegado da Polícia Federal.

Ramagem deixando o cargo, Carlos Afonso assumiria como interino e não precisaria ser sabatinado pelo Senado, exigência constitucional para o posto.

Ele assumiu no final de novembro no lugar de Frank Márcio de Oliveira, funcionário de carreira da Abin que foi deslocado para ser adido na Índia. O comando do Sistema Integrado de Nomeações e Consultas da Abin também foi alterado e mais cargos-chave também devem ser alterados no órgão nos próximos dias. Procurados, a PF e a Abin não se manifestaram.

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