Governo articula em diferentes frentes para tentar evitar CPI da Covid-19

Instalação da CPI da Covid-19 no Senado foi ordenada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo

Palácio do Planalto e Congresso Nacional, em Brasília
Palácio do Planalto e Congresso Nacional, em Brasília Foto: Ueslei Marcelino/Reuters (18.abr.2013)

Igor Gadelhada CNN

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Integrantes do governo articulam em diferentes frentes para tentar evitar a instalação da CPI da Covid-19 no Senado, ordenada nesta quinta-feira (8) pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Um dos movimentos é reforçar a ofensiva sobre os senadores que apoiaram a criação da comissão para que retirem suas assinaturas e, assim, não haja as 27 assinaturas mínimas necessárias.

Até março, o pedido de instalação da CPI tinha 33 assinaturas. Uma delas, porém, já foi desconsiderada: a do senador Major Olímpio (PSL-SP), que morreu em 18 de março vítima da Covid-19

Segundo o regimento interno do Senado, senadores podem retirar suas assinaturas até a meia-noite do dia em que o requerimento de instalação da CPI for lido em plenário, o que está previsto para próxima semana.

Em outra frente, lideranças governistas no Senado atuam nos bastidores para convencer algumas bancadas a não indicarem seus representantes para a CPI, impedindo o início dos trabalhos.

 

Plenário do STF

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro tentam ainda convencer algum ministro do STF a pedir que a decisão monocrática de Barroso seja levada ao plenário tradicional do Supremo.

Em acordo com o presidente da Corte, Luiz Fux, Barroso pediu que sua liminar fosse analisada pelos demais ministros no plenário virtual do STF, onde a exposição é considerada menor.

O julgamento virtual está marcado para ocorrer entre os dias 16 e 26 de abril. Qualquer ministro do STF, porém, pode pedir destaque para que o tema seja julgado no plenário convencional.

Consultas

Segundo apurou a CNN com fontes do Senado e do STF, Barroso consultou colegas da corte nesta quinta-feira antes de dar a liminar e teria ouvido apoio da maioria dos demais ministros para a decisão.

Além disso, Barroso sinalizou previamente ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que daria a decisão, em uma tentativa de fazer o senador abrir a CPI antes, sem obrigação judicial.

Fontes do STF disseram à CNN que o presidente do STF, Luiz Fux, também conversou com Pacheco. O presidente do Senado, porém, teria indicado que não abriria a CPI por decisão própria.

 

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