Governo estudou encontros anteriores de Trump antes de reunião com Lula
Objetivo foi evitar “surpresas” e blindar brasileiro; encontros entre presidente americano e líderes da África do Sul e da Ucrânia foram estudados por auxiliares do Planalto

O governo brasileiro analisou encontros anteriores entre chefes de Estado e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval, para evitar constrangimentos durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca.
Lula se reuniu com Trump na quinta-feira (7), após o presidente norte-americano sugerir a data do encontro à comitiva brasileira.
Nos bastidores, o Planalto vinha se preparando para a reunião desde março. Auxiliares de Lula estudaram interações de líderes estrangeiros com Trump para evitar episódios indesejados durante o encontro.
Na avaliação de integrantes do governo, a condução da reunião pelo Brasil não abriu espaço para possíveis constrangimentos.
O encontro foi tratado como uma vitória pelo Planalto. Para integrantes da Presidência, três fatores marcaram o sucesso da reunião: a sugestão da data por parte de Trump, o clima cordial demonstrado pelos dois presidentes diante das câmeras e a publicação feita pelo presidente dos EUA em tom positivo após a conversa.
A ausência de representantes do Departamento de Estado na reunião também foi destacada por interlocutores. Além disso, segundo relatos, o vice-presidente J. D. Vance manteve uma postura discreta durante o encontro, em contraste com outras recepções recentes.
Constrangimentos no Salão Oval
Em fevereiro de 2025, também no Salão Oval, Trump recebeu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Na ocasião, os dois protagonizaram um bate-boca diante de jornalistas.
Ao cobrar mais gratidão pelo apoio dos Estados Unidos, Trump e Vance elevaram o tom e acusaram Zelensky de dificultar um acordo de paz com a Rússia, em meio à guerra que já ultrapassava três anos.
Em determinado momento, Vance acusou o líder ucraniano de ser “desrespeitoso” com os anfitriões norte-americanos.
Já em maio de 2025, Trump recebeu o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Na ocasião, o presidente norte-americano gerou constrangimento ao exibir um vídeo falso que alegava um suposto “genocídio branco” na África do Sul. O episódio provocou tensão e evidenciou o uso de desinformação por parte do líder americano.

