Governo manda ao Congresso projeto para governança de IA

Matéria deve ser apensada ao Marco Regulatório de Inteligência Artificial para garantir constitucionalidade

Taísa Medeiros, da CNN Brasil, Brasília
Palácio do Planalto, sede do governo federal em Brasília  • Roberto Stuckert Filho/PR
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O governo federal enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria o SIA (Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de Inteligência Artificial).

A matéria não trata da regulação em si, mas tem o objetivo de superar o vício de iniciativa do projeto de lei que institui o Marco Regulatório de Inteligência Artificial no Brasil (PL 2338/2023). Isso porque o texto estabelecia estrutura governamental relacionada ao tema — o que cabe de maneira exclusiva ao Executivo.

O texto original foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e atribuía competências à ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). Embora o governo tenha acordo quanto ao papel da ANPD no SIA, cabia ao Executivo encaminhar a proposição.

Portanto, o projeto de lei não trata da discussão sobre restrições, proibições e aplicações de alto risco da IA. Os temas estão sendo discutidos no Congresso. A expectativa é de que a matéria enviada pelo governo seja apensada a essa medida.

Em evento na última terça-feira (9), o relator do marco regulatório, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) afirmou que o envio do projeto para garantir a constitucionalidade da matéria é fruto de diálogo entre os dois Poderes.

“Isso é parte de um diálogo nosso com o governo para suprir o vício de iniciativa na parte da governança da IA. É fruto de conversas para o envio desse projeto”, disse.

Governança

Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o modelo de governança previsto nesse projeto busca melhorar as condições institucionais “para que o país utilize, desenvolva e promova IA de forma estratégica em direção ao desenvolvimento econômico, inclusão social e soberania digital”.

Os critérios técnicos, mecanismos de monitoramento e auditoria contínua, avaliação de padrões de segurança, ética e proteção de dados a serem seguidos pela ANPD no exercício da função de governança serão definidos a partir do debate no Congresso Nacional.