Governo me dá liberdade para divulgar dados corretos, diz novo diretor do Inpe

Clezio de Nardin: 'Eu não tenho nenhuma orientação do governo para alterar nada, para esconder nada, muito pelo contrário'

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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Nomeado como o novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o engenheiro Clezio de Nardin afirmou nesta terça-feira (6) que recebeu “plena liberdade” do governo Jair Bolsonaro (sem partido) para a divulgação dos dados sobre desmatamentos e queimadas no Brasil.

“Eu não tenho nenhuma orientação do governo para alterar nada, para esconder nada, muito pelo contrário. Meu chefe imediato, o ministro astronauta Marcos Pontes, me deu plena liberdade para continuar agindo com transparência e lisura”, disse Nardin em entrevista à CNN.

Clezio de Nardin é o primeiro diretor efetivo nomeado desde agosto de 2019, quando o físico Ricardo Galvão foi demitido após divergências públicas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que havia colocado em dúvida os dados divulgados pelo Inpe.

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O novo diretor é servidor de carreira e defendeu o processo científico do Inpe, afirmando que os dados coletados pelo instituto estão “incontestavelmente corretos”.

Para Nardin, o problema do Inpe é de comunicação. Ele afirmou na entrevista aos âncoras Caio Junqueira e Monalisa Perrone que pretende se aproximar de Bolsonaro, do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“Na minha opinião, nós não estamos oferecendo a informação completa ou sendo capazes de transmitir a informação para as autoridades a nível de deixar a decisão clara e límpida. Nós vamos melhorar a comunicação”, disse o diretor do Inpe.

Sobre a aproximação, Clezio de Nardin afirma que a sua intenção é poder apresentar o Inpe e o método científico utilizado para que os políticos eleitos tenham melhor condição de decisão. “Eu pretendo me aproximar dos decisores para poder assessorá-los”, explicou.

Questionado sobre a razão para as altas em queimadas, o novo diretor do Inpe afirmou que a função do órgão é apenas a de oferecer os dados e que não lhe cabe dizer qual foi a razão. Ele se limitou a citar questões ambientais, como variações do clima e sazonalidade. 

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