Governo não pode ficar de braços cruzados, diz Lindbergh sobre sanções
Após depoimento à PF, líder do PT na Câmara fala em “crise diplomática seríssima” caso retaliações a ministros do Supremo Tribunal Federal avancem

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou nesta segunda-feira (2) que o governo brasileiro não pode ficar de "braços cruzados" caso aconteça alguma retaliação a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos Estados Unidos.
"Nós estamos caminhando para uma crise diplomática seríssima. Porque não tem como o governo brasileiro ficar de braços cruzados se tiver uma retaliação contra ministros do Supremo em cima de uma Lei Magnitsky, que é usada contra ditaduras", declarou à imprensa.
A fala foi feita após o parlamentar prestar depoimento à Polícia Federal (PF) na investigação que apura a atuação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro.
Citada em entrevistas por Eduardo Bolsonaro, a Lei Magnitsky é um dispositivo da legislação americana que permite que os Estados Unidos imponham sanções econômicas a acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.
Em 21 de maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Moraes poderia ser alvo de sanções norte-americanas.
A informação foi apresentada pelo chefe da diplomacia do presidente Donald Trump durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA, após uma pergunta do congressista republicano Cory Mills. Mills foi chamado de “homem de palavra” por Eduardo nas redes sociais, que repercutiu as declarações.
Como mostrou a CNN, o governo brasileiro confirmou o envio de uma carta dos Estados Unidos alertando sobre ordens do ministro Alexandre de Moraes.
A carta é datada do dia 7 de maio de 2025 e foi endereçada ao Ministério da Justiça tendo como destinatário final "Hon. Justice Alexandre de Moraes".
O ponto de partida é o caso envolvendo a rede social Rumble, que foi suspensa por ordem do ministro. Moraes pediu que perfis localizados no país norte-americano, como o do blogueiro Allan dos Santos, fossem removidos, o que não foi cumprido pela companhia.
Lindbergh diz ter apresentado 600 documentos sobre a atuação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ex-chefe do Executivo tenha suas contas bloqueadas.
O líder do PT também pediu que a PF abra investigação contra o deputado federal Felipe Barros (PL-PR) por ter realizado reuniões no exterior “contribuindo com a negociação de intervenção estrangeira contra autoridades brasileiras”.
A CNN procurou as defesas de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Filipe Barros, e não obteve retorno até o momento.
O pedido para investigar o deputado do PL surgiu após Lindbergh Farias apresentar, em 22 de maio, uma representação contra Eduardo pelos supostos crimes de atentado à soberania nacional, abolição do Estado Democrático de Direito e coação no curso de processo. A PGR pediu então ao STF, que acabou autorizando, a abertura de um inquérito.


