Governo prevê dificuldades com novo corregedor do TSE

Mauro Campbell vai conduzir o inquérito que apura se a live de Bolsonaro que atacou as urnas eletrônicas feriu a legislação eleitoral

Caio Junqueira

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O Palácio do Planalto recebeu sinais de que o novo corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Mauro Campbell, deverá seguir a mesma linha do atual Luiz Felipe Salomão e conduzir o inquérito administrativo que apura se a live do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que atacou as urnas eletrônicas feriu a legislação eleitoral.

A avaliação que chegou a interlocutores de Bolsonaro é a de que Campbell manterá a linha dura contra o presidente.

Nesta semana, já se iniciou a transição de entre ambos na corregedoria do TSE. Juizes instrutores que auxiliam Campbell no Superior Tribunal de Justiça começaram a ter acesso aos autos do inquérito, que tramitam sob sigilo. Ele assume formalmente a corregedoria no dia 30 de outubro.

Ele é egresso do Ministério Público, característica que geralmente torna os juízes mais punitivistas em relação a seus pares. O ministro do STF Alexandre de Moraes, por exemplo, tem a mesma origem.

Por essa razão, a tendência de vitória do governo na rejeição da cassação de chapa Bolsonaro-Mourão, como mostrou a CNN, não deverá se transformar em expectativa de vida fácil para o governo na corte.

A primeira avaliação que chegou ao Planalto é a de que Campbell abraçou a ideia desenvolvida pela cúpula do Judiciário de que é preciso manter Bolsonaro sob cerco após o confronto que ele protagonizou com ministros do TSE e do STF.

Mais do que isso, ele teria dito a interlocutores que a situação do presidente no inquérito é difícil. No limite, ela pode gerar a impugnação do registro da candidatura de Bolsonaro por propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder e ataque a lisura do processo eleitoral.

O governo já prestou esclarecimentos dentro do inquérito. Quem comanda a defesa é o subchefe para assuntos jurídicos da Presidência da República, Pedro Cesar Sousa. Mas começa a haver dentro do governo um debate se é necessário que essa defesa seja ampliada e a Advocacia-Geral da União auxilie e até mesmo advocacia privada.

Procurado, Mauro Campbell disse a CNN que ainda não teve acesso aos autos.

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