Gratuidade para emissão de documento de estudante pauta debate na Alesp
Deputado quer que Secretaria de Educação do estado disponibilize carteirinha gratuita para todos os estudantes; entidades criticam a medida

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) tem gerado debate entre os deputados estaduais acerca da gratuidade do documento para estudantes, a famosa "carteirinha", no estado.
Apresentada pelo deputado Tenente Coimbra (PL), a proposta pede a emissão gratuita da carteirinha, pela Secretaria de Educação do estado, preferencialmente no formato digital.
No texto, o deputado argumenta que "a evolução dos conhecimentos de informática e a vertiginosa facilitação que a digitalização traz ao serviço público, além da economicidade ao usuário do serviço nos força a compreender que a carteira digital é um caminho natural e exigível".
A dificuldade e o motivo do embate, no entanto, é que a competência da emissão desse documento, atualmente, é de entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), conforme determina a legislação federal.
Parlamentares mais próximos das causas dessas entidades têm rebatido a proposta. Em conversa com a CNN, o deputado Guilherme Cortez (PSOL), por exemplo, diz que o texto é "inconstitucional" e que tem por objetivo, na verdade, "enfraquecer e fragilizar a atuação das entidades estudantis, que hoje tem a responsabilidade e a prerrogativa assegurada por lei federal".
Segundo o deputado autor da proposta, Tenente Coimbra, a ideia não é excluir as entidades, que poderiam, a partir da legislação federal, continuar a emitir o documento, mas sim "reduzir o custo disso".
"Elas [entidades] podem continuar criando, porque a lei permite isso a nível nacional, mas que no estado de São Paulo, a gente possa ter uma carteirinha online, que obviamente reduz o custo disso, que não vai ter, na verdade, custo para o estudante", disse à CNN.
As entidades, por sua vez, cobram um debate mais amplo sobre o tema, afirmando ser "inaceitável", que um projeto de um "novo modelo de documento estudantil em São Paulo avance de forma atropelada e sem diálogo com a sociedade civil".
"Reafirmamos a necessidade de um debate amplo, com escuta das entidades representativas, e nos posicionamos contra qualquer iniciativa que viole o processos democráticos ou ataque o direito à livre organização estudantil", dizem em nota.
De acordo com a UNE, são emitidos, em média, 150 mil documentos por ano e, essa receita "é uma das principais fontes de financiamento da estrutura do movimento estudantil em todo o país".
Tenente Coimbra afirmou que já até conversou com o secretário de Educação do estado, Renato Feder, que, segundo ele, não teria se oposto ao texto do projeto.
A CNN entrou em contato com a Secretaria de Educação estadual, que informou que atualmente já disponibiliza a carteirinha de forma gratuita para os estudantes até o fim do ensino médio. De acordo com Coimbra, no entanto, a ideia é que essa possibilidade se expanda para o nível superior também.
Na última terça-feira (27), os deputados realizaram a primeira das sessões de discussão. Agora, restam outras três horas para o debate — que podem ser usadas em diferentes dias. Depois disso, Coimbra ainda precisa apresentar o orçamento que o projeto demandaria.
A expectativa do deputado é que a votação em si aconteça apenas em agosto.
Outros parlamentares ouvidos pela CNN criticam o "debate ideológico" que se criou em torno da proposta, afirmando que o que está em jogo não necessariamente reflete o texto em si e as necessidades da população, mas sim "as necessidades pessoais de cada deputado".


