Grupo do Senado sobre Master inicia trabalhos e quer visitas à PF, BC e STF
Senadores da Comissão de Assuntos Econômicos devem se reunir com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, nesta quarta-feira (4)

O Grupo de Trabalho do Senado sobre o caso do Banco Master iniciou os trabalhos nesta quarta-feira (4) com o debate sobre o plano de trabalho. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), coordenador do grupo, anunciou que o colegiado deve fazer visitas ao Banco Central, à Polícia Federal e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A primeira reunião deve ser com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e está prevista para esta tarde. Antes, Renan também anunciou ter se reunido com o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo Filho.
"Estou tentando marcar uma visita da comissão ao presidente do Supremo Tribunal Federal [ministro Edson Fachin] na próxima semana e uma visita também ao diretor da Polícia Federal", afirmou o senador.
A intenção, segundo Renan Calheiros, é realizar as visitas e depois receber Galípolo e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para audiências formais na comissão.
Criado no âmbito da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), o colegiado deve requerer informações sobre investigações e deve propor novos mecanismos de fiscalização do sistema financeiro.
Renan defendeu ainda que a atuação do grupo não "competirá" com possíveis iniciativas de comissões parlamentares de inquérito. O trabalho, de acordo com ele, será "complementar". Ele destacou que a CAE tem prerrogativa constitucional de fiscalizar o mercado financeiro.
"Não haverá competição com nenhuma comissão parlamentar de inquérito. Eu assinei os requerimentos que apareceram. Eu defendo a instalação de comissão parlamentar de inquérito e o nosso trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos será apenas um trabalho complementar. Nós não pretendemos competir absolutamente com ninguém", declarou em entrevista a jornalistas no Senado.
Congressistas, em especial da oposição, pressionam para a criação de uma CPI ou uma CPMI – formada por deputados e senadores – sobre a fraude financeira do Master. O movimento recebeu nos últimos dias apoio de parlamentares do PT. Apesar disso, ainda não há indicações de que a cúpula do Congresso se comprometerá com uma CPI.
Um pedido de CPMI foi apresentado pela oposição na terça-feira (3). Na Câmara, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), o requerimento de uma CPI deverá respeitar a "ordem cronológica" da fila de pedidos. Além do caso Master, existem outros 15 pedidos de comissões de inquérito aguardando abertura na Câmara.
Em outra frente no Congresso, a CPMI do INSS prevê tomar o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Master, que acabou sendo remarcado, a pedido do banqueiro, para o dia 26 de fevereiro.
"As digitais de Daniel Vorcaro, entre outros, estão em todos os poderes, em vários escalões, em várias gestões. Por isso, é desaconselhável tentar politizar a investigação. A vigarice não distingue ideologia. A delinquência não tem preferência político-partidária", declarou Renan.
Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após investigações da Polícia Federal envolvendo emissões de títulos e suspeitas na gestão da instituição com fraude estimada em mais de R$ 12 bilhões.
Na última semana, o ministro Dias Toffoli, do STF, retirou o sigilo dos depoimentos de Vorcaro, prestados no dia 30 de dezembro. Ele reconheceu, no depoimento, que o Master enfrentava uma crise de liquidez e negou ter tido "facilitação política" para viabilizar os negócios da sua instituição junto ao BRB.


