Há três tipos de direita na América Latina, afirma Eduardo Viola
Professor de Relações Internacionais da FGV avalia que presidentes da direita latino-americana não compactuam da mesma agenda ideológica, mas estão ligadas por temas centrais
Na América Latina, a direita está dividida entre a extrema direita, a direita democrática e a centro-direita, segundo análise do professor de Relações Internacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Eduardo Viola. Mas, para ele, essas cisões diminuem quando um dos grupos vai ao segundo turno de uma eleição presidencial.
"Acaba-se produzindo uma aliança das três, mas uma questão chave é quem a lidera", aponta o professor ao WW Especial. E quem fica para trás é a centro-direita.
Viola pontua que os atores mais extremistas conseguiram captar o discurso do combate à criminalidade - que se mostra importante no continente. "O crime cria toda uma situação muito comum em praticamente todos os países da América Latina", afirma.
Segundo pesquisa da Ipsos, compilada pelo Financial Times, 55% dos latino-americanos nomeiam o crime e a violência como sua preocupação principal. No resto do mundo, o número cai muito - com 34%.
A única exceção seria a Argentina, "porque o central vem de uma extrema direita que tem uma característica muito específica, que é libertária no econômico e está propondo uma ruptura com um passado."
1. Extrema direita
A extrema direita, para Viola, "contesta as regras do sistema", criticando a democracia com uma "proposta iliberal voltada para o confronto." Além disso, tem um componente de populismo em suas propostas.
2. Direita Democrática
Já a direita democrática é "claramente liberal no econômico e pode ser conservadora ou liberal no político." "Em geral, neste momento, essa direita democrática, uma parte importante dela, propõe ajustes econômicos fortes e políticas muito duras em relação à segurança pública", explica o especialista.
Esse grupo se une à extrema direita nas propostas mais pesadas sobre segurança, mas se separa pelo menor conservadorismo nos costumes.
3. Centro-direita
"Ela foi muito importante na história da América Latina, mas hoje ela está muito enfraquecida", aponta o professor. Dentre as lideranças dessa ala, Viola inclui o movimento de Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina, e a democracia cristã chilena.
O PRO, partido de Macri, ficou fora do segundo turno das eleições presidenciais de 2023 - que terminaram com a vitória do atual presidente, Javier Milei. Mais recentemente, em eleições legislativas, o macrismo sofreu duras derrotas e viu o movimento de extrema direita comandado por Milei avançar - especialmente em Buenos Aires.
A democracia cristã chilena, que tem como principal marca o PDC (Partido Democrata Cristão), também sofreu uma forte decaída - perdendo espaço para José Augusto Kast, eleito presidente em dezembro de 2025, e outros setores.
WW Especial
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* publicado por Danilo Cruz, da CNN Brasil



