Haddad e Gomes defendem julgamento imparcial e justo sobre fake news

Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o senador Eduardo Gomes participaram nesta terça-feira (9) do Debate 360

Anna Gabriela Costa, da CNN em São Paulo

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O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) apontaram, durante participação no Debate 360, da CNN, nesta terça-feira (9), a importância da investigação em relação à disseminação de notícias falsas na internet, principalmente no âmbito de campanhas políticas. Eles também destacaram a necessidade da regularização das leis para crimes cibernéticos. 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a julgar nesta terça-feira (9) duas ações que pedem a cassação da chapa que elegeu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB). Uma das ações analisa supostos disparos em massa por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

Fernando Haddad, que foi candidato e chegou ao segundo turno das eleições presidenciais em 2018, afirmou ter sido vítima de “bombardeio de notícias falsas” na ocasião. 

“Nas eleições de 2018 houve um enorme bombardeio de notícias falsas contra mim e a candidata a vice na minha chapa, a Manuela d’Ávila. De acordo com o próprio Bolsonaro, que entendia na época que seria suficiente para lhe dar a vitória no primeiro turno, ele já estava de alta (hospitalar) e não queria participar de debate em nenhuma instância comigo, então para ele era vital que a eleição terminasse no primeiro turno”

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O senador Gomes, líder do governo no Congresso Nacional, discordou de Haddad no que diz respeito à vitória de Bolsonaro, em 2018, ter se dado por conta de supostas notícias falaciosas e, defende o rigor na apuração de fake news para todos os partidos.

“Apoiei no primeiro turno o Geraldo Alckmin (PSDB) e o Bolsonaro no segundo turno, pude acompanhar toda a dinâmica da eleição, fica parecendo que o PT foi inocentemente para a eleição e vítima de uma campanha violenta, e que não é verdade. O desastroso governo anterior que acabou elegendo Jair Bolsonaro. O que está sendo discutido agora no inquérito da fake news precisa ter o mesmo vigor para a chapa do PT. Não podemos passar de uma hora para outra a um cenário de que não havia ataques de diferentes formas a todos os candidatos, precisamos ser justos”, afirmou Gomes.

“Apoio o STF em estabelecer um inquérito para essa apuração, todos os democratas do país querem saber a verdade. Nós do PT somos os primeiros a defenderem um julgamento imparcial, não desejo para ninguém, nem para o presidente Bolsonaro que ele seja injustiçado. Mas sou contra o pedido do Bolsonaro para que essas provas não sejam levadas ao conhecimento do Supremo. Vamos para o julgamento a partir de uma apuração bem feita pela Polícia Federal.”, acrescentou Haddad.

Ética nas eleições

Eduardo Gomes e Fernando Haddad falaram sobre a necessidade de regras mais claras e objetivas em relação às campanhas na internet, para que nas eleições municipais, previstas para acontecerem este ano, o cenário seja pautado pela transparência.

“O tema fake news tem que ser tratado de uma forma mais ampla, não há no mundo uma regra para o assunto. Eu estou otimista com relação à possibilidade de processo do TSE, a coisas vão ficar bem claras sobre o que é campanha, o que é opinião e o que é fake news. Primeira medida que temos que tomar é sobre a lei geral de proteção de dados, precisa ser implementada de verdade no país, precisamos proteger o indivíduo para que a gente consiga proteger o conjunto dos eleitores e cidadãos sobre a melhor informação. Com certeza todo mundo quer um ambiente melhor para as próximas eleições, inclusive o presidente Bolsonaro”, argumentou Gomes. 

“Concordo com o que o senador disse, isso tem que ser normatizado, temos que ter eleições livres no Brasil, isso pressupõe um debate de argumentos. Muitas coisas estão se elucidando com o tempo”, disse Haddad.

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