Hugo critica PT por “incoerência histórica” ao citar Ulysses Guimarães

Presidente da Câmara reagiu após ataque de Lindbergh Farias, líder do partido

Poliana Santos, da CNN Brasil, São Paulo
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara  • Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que o discurso do PT contra a votação do PL da Dosimetria representa uma “incoerência histórica”, citando o ex-deputado Ulysses Guimarães, principal articulador da Constituição de 1988.

A declaração foi dada após o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias RJ), fazer duras críticas ao presidente da Câmara. Durante a sessão, o petista lembrou que Hugo, ao assumir o comando da Casa, citou Ulysses Guimarães e o filme sobre Rubens Paiva, ex-deputado morto durante a ditadura militar.

Lindbergh acusou o presidente de “cometer um crime” ao pautar um projeto que, segundo ele, teria como objetivo reduzir penas de generais golpistas e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Vossa Excelência, na posse, falou de Ulysses Guimarães e fez referência ao filme sobre a vida de Rubens Paiva. A família de Paiva não viu aqueles criminosos serem julgados, a de Vladimir Herzog também não. E aí o senhor coloca esse projeto de forma oportunista, com um objetivo só: reduzir as penas de generais golpistas e do ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o deputado.

“O senhor está cometendo um crime, interferindo em um julgamento ainda em curso. Tem núcleos que ainda serão julgados. Que decepção. Quem vota a favor disso está escrevendo sua biografia da pior forma possível”, completou.

Em resposta, Hugo lembrou que o PT "foi contra o texto da Constituição de 1988" durante o processo constituinte. Embora tenha assinado o documento final, a sigla não participou da cerimônia de promulgação e votou contra diversos dispositivos.

“Tenho tido muito respeito aos oradores, mas escutar reiteradas vezes integrantes do PT invocarem Ulysses Guimarães, quando o próprio partido votou contra a atual Constituição, é realmente uma incoerência histórica”, rebateu o presidente da Câmara.

Mais tarde, durante a sessão, a questão voltou a ser abordada. Desta vez, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) tentou corrigir a fala de Hugo, mas foi interrompida pelo próprio presidente.

“Digo isso por conta da manifestação de Vossa Excelência, dizendo que o Partido dos Trabalhadores sequer assinou a Constituição”, afirmou Benedita, sendo logo interrompida por Motta: “Tenho muito respeito por Vossa Excelência, mas o que disse é que o PT votou contra a Constituição. E isso é uma verdade.”

Benedita, porém, participou da Assembleia Nacional Constituinte.