Hugo nega negociação por desocupação e define protesto como episódio triste

Presidente da Câmara afirma que ocupação do plenário poderia abrir "precedente gravíssimo" e defende punição de responsáveis

Tainá Falcão, Lucas Schroeder e Emilly Behnke, da CNN, São Paulo e Brasília
Compartilhar matéria

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou, em entrevista exclusiva à CNN nesta sexta-feira (8), que tenha havido negociação de pautas para a desocupação da Mesa Diretora da Casa, tomada no início desta semana por parlamentares da oposição insatisfeitos com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL).

"Tivemos essa semana um episódio triste, que nós nunca antes havíamos vivido, que é uma obstrução física dos trabalhos”, disse.

Motta atribuiu o ocorrido a um momento "atípico" do país. Ele ressaltou que não houve um acordo costurado para que os trabalhos fossem retomados. Isso porque, segundo ele, uma negociação com contrapartidas poderia abrir um "precedente gravíssimo".

"Sempre colocamos que não estaríamos ali negociando pautas para que a normalidade fosse retomada. Não há nenhum tipo de negociação porque não negociamos a condição de presidir", declarou.

Motta ressaltou que as pautas reivindicadas pela oposição, como o projeto da anistia, terão o tratamento regimental com a discussão no colégio de líderes.

Motta afirmou ainda que "jamais passou por sua cabeça" o uso de força física, com apoio da Polícia Legislativa, por se tratar de um movimento de integrantes da própria Casa. Para ele, a solução por meio do diálogo em prol do fim da obstrução teve o melhor resultado possível.

“Essa saída foi construída, sim, ao longo desse dia, depois de muito diálogo. Essa guerra foi vencida sem precisar atirar", afirmou.

O presidente da Câmara, no entanto, afirmou que defenderá a punição dos responsáveis por atrapalhar os trabalhos legislativos. Segundo ele, a Mesa Diretora se reunirá ainda nesta sexta-feira para falar sobre as providências que devem adotar.