Parece que governo Lula quer quebra do BRB, diz Celina Leão à CNN

Segundo governadora do Distrito Federal, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não têm feito negócios com o Banco de Brasília após a crise com o Master

Da CNN Brasil, Brasília
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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta segunda-feira (20) ter a “impressão” de que a vontade do governo federal é de que o BRB (Banco de Brasília) “quebre”. Segundo ela, apenas os bancos vinculados ao governo, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, não têm feito negócios com o BRB.

“Todos os bancos privados têm sentado, têm negociado com o BRB. Os únicos bancos que não têm negociado com o BRB são a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. A impressão que se passa por parte do governo federal é de que a vontade dele é que o banco do Distrito Federal quebre mesmo, independentemente de responsabilidade de quem quer que seja”, disse a governadora em entrevista à CNN.

Em tom crítico ao governo, Celina disse que essa não é uma “postura republicana” esperada no pacto federativo.

No início de abril, a governadora se encontrou com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em busca de soluções para o equilíbrio financeiro do BRB. Posteriormente, Celina afirmou que não viu "boa vontade" por parte do governo federal em ajudar o banco.

Ela negou abertura por parte de sua gestão para discutir contrapartidas do Distrito Federal — como uma mudança do cálculo do fundo constitucional do DF — em um eventual socorro da União ao banco.

"O governo do PT tentou por duas vezes retirar isso [o fundo constitucional do DF] de nós. Nós enfrentamos com muita firmeza, e não vai ser agora, diante de uma dificuldade, que eles vão colocar isso na mesa e nós vamos acatar. Não há a mínima possibilidade de recuo para esse tipo de diálogo", destacou.

Segundo ela, uma eventual ajuda do governo "não seria nenhum favor" para o banco, já que seria vantajoso para a própria Caixa Econômica Federal realizar negócios com o BRB.

Celina fez um apelo à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o Executivo pense "nos trabalhadores". Ela mencionou os cerca de 6.000 servidores cotistas do BRB e que dependem exclusivamente do banco.

"Quando você deixa um banco quebrar, você traz um cenário muito instável para o mercado financeiro. Então, acho que a responsabilidade não era de colocar uma negociação na mesa, a responsabilidade era institucional, pensando nos trabalhadores", disse a governadora.

Crise do BRB

Celina Leão assumiu o governo do DF em meio à crise do BRB com o Banco Master, suspeito de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares envolvendo outras instituições — dentre elas, o próprio Banco de Brasília.

Em setembro de 2025, o BRB chegou a tentar comprar o Banco Master, mas o Banco Central rejeitou a compra. A negociação se transformou em um escândalo bilionário quando se descobriu que os ativos oferecidos ao BRB eram fraudulentos, sem lastro real. Segundo investigações da PF (Polícia Federal), há indícios de que o BRB estava ciente de que estava adquirindo "ativos podres", sugerindo uma possível participação no esquema.

O BRB enfrenta um momento de pressão após identificarem cerca de R$ 12 bilhões em operações de crédito fraudulentas, que impactaram o balanço e aumentaram a necessidade de capital.

Parte relevante do problema está ligada à estratégia adotada pelo banco nos últimos anos, com forte exposição a carteiras de crédito originadas pelo Master. O BRB comprava o direito de receber esses empréstimos no futuro, assumindo o risco de inadimplência.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo banco, Celina nega a intenção de privatizá-lo. A governadora minimizou a crise e disse se tratar de um "fato pontual", culpando a gestão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, preso preventivamente na última semana.