Indicação ao STJ e vaga no Senado colocam aliança entre JHC e Lira em xeque

Prefeito de Maceió deve conversar com lideranças locais neste fim de semana

Tainá Falcão e Teo Cury, da CNN, Brasília
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A aliança entre o prefeito de Maceió, JHC, e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) está em risco, avaliam aliados. O pano de fundo é a disputa de 2026, mas a gota d’água foi o recuo sobre a indicação da procurada de Justiça, Marluce Caldas, tia de JHC, ao Superior Tribunal de Justiça.

No fim de semana, o prefeito da capital alagoana deve conversar com lideranças políticas locais com intuito de romper com Lira e assumir uma postura de independência sobre as eleições de 2026.

O prefeito já colocou em curso o esvaziamento de indicações de Lira, nesta quarta (28), quando exonerou a cúpula da Secretaria de Educação e, agora, promete rever outros nomes.

Aliados do prefeito indicam atuação do ex-presidente da Câmara para Lula ainda não haver sacramentado a Procuradora de Justiça de Marluce na vaga de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na última terça (27), Lula decidiu indicar ao tribunal o desembargador Carlos Brandão e não dá sinais de quando avalizará o nome de Marluce. Ainda assim, apoiadores esperam que a indicação da procuradora saia na próxima semana.

Nos bastidores, interlocutores de Lula admitiram que o imbróglio eleitoral em Alagoas impactou a decisão do Planalto.

Integrantes do governo que aconselham o presidente na escolha de nomes a tribunais superiores afirmam que Lula espera que a articulação com JHC esteja alinhada, afinada e amarrada.

O presidente, segundo seus interlocutores, não quer apenas promessas, mas gestos por parte de JHC que demonstrem seu compromisso com Lula em 2026.

JHC tem negociado uma mudança de partido e pode migrar ao PSB, de João Campos, consequentemente, para a base de Lula. A migração é vista como o gesto que precisa ser feito para a indicação de Marluce ser destravada.

O movimento pode isolar o ex-presidente da Câmara, que espera uma aliança com o prefeito de Maceió para se lançar ao Senado em 2026, contra o grupo político dos Calheiros.

JHC se coloca como candidato ao governo de Alagoas, em 2026, mas a transferência para a base de Lula pode levá-lo a uma composição com Renan Filho, nome do MDB na disputa majoritária. Entre os aliados de Lira, o receio é de que JHC saia candidato ao Senado ao lado de Renan Calheiros e deixe o ex-presidente da Câmara sem palanque. Se o movimento de independência prevalecer, JHC também não daria palanque a Lira.

O potencial político das movimentações da família Caldas que pode beneficiar Lula – que ganharia uma senadora para a base do governo, um prefeito em uma capital do Nordeste e, eventualmente, um governador na região – foi crucial para Marluce obter favoritismo na disputa.

Lira nega rompimento à CNN

Em nota enviada à CNN, Arthur Lira negou haver rompimento entre ele e JHC e reforçou que as forças políticas de oposição estão unidas em torno da candidatura do prefeito ao governo de Alagoas.

Lira afirmou ainda que, no que depender dele, JHC terá o seu apoio e de todos que querem mudar Alagoas. Segundo ele, este apoio envolve a classe política avançada, os setores sociais, produtivos e municipalistas do estado.