Indicação de Flávio divide governadores e partidos, e acelera articulações

Enquanto nome do senador ganhou apoio de governadores do PL, partidos que integram o Centrão já sinalizam resistência à eventual candidatura ao Planalto

Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
Comissão de Segurança Pública (CSP) realiza audiência pública interativa para discutir os fatos descritos no relatório investigativo intitulado “Arquivos do 8 de Janeiro: por dentro da força-tarefa judicial secreta para prisões em massa”, publicado pela organização internacional Civilization Works. Mesa: presidente da CSP, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); autor do REQ 18/2025-CSP, senador Magno Malta (PL-ES). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)  • Saulo Cruz/Agência Senado
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oficialização do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o sucessor do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições de 2026 já causa fragmentação dentro da direita e acelera uma possível ruptura.

Flávio foi escolhido pelo próprio pai para assumir seu lugar na liderança pelo bolsonarismo. Bolsonaro, o principal expoente do movimento, está preso desde 22 novembro na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília, depois de ser condenado a 27 anos de prisão por participar de um plano de golpe de Estado.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN, a disputa entre os herdeiros políticos do bolsonarismo será acirrada. Na avaliação de cientistas políticos, embora os integrantes da família Bolsonaro não queiram deixar a disputa, os partidos de direita e o Centrão devem resistir à candidatura de Flávio.

Conhecido por não ter uma ideologia clara e por sua adesão a diferentes governos, o Centrão já dá sinais de que não deve aceitar o nome do filho do ex-presidente tão facilmente.

A avaliação do bloco é de que o senador deve ficar isolado por não ter potencial para unir um único grupo de direita, resultado em uma fragmentação das candidaturas que pretendem disputar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O União Brasil, que integra o Centrão, já sinalizou que não deve apoiar uma eventual candidatura de Flávio. A sigla tem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato na disputa.

Na mesma linha do União, o PSD também já se manifestou, dizendo que busca “protagonismo” na corrida eleitoral. Até o momento, o nome favorito do partido era o do governador do Paraná, Ratinho Jr.

Por outro lado, outros governadores de direita se posicionaram favoráveis à candidatura de Flávio. O próprio Ratinho Jr. e governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais apoiaram o nome do senador.

Segundo Cláudio Castro (PL-RJ), o objetivo agora é “dar todo apoio necessário” para que o PL chegue forte nas eleições.

Também do PL, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, apoiou a escolha da sigla e destacou que sempre deu suporte a Bolsonaro e que seu candidato seria o que o ex-presidente indicasse.