Influenciadores relatam pedido em nome do BRB para falarem sobre Master
Agência de publicidade contratada pelo Banco de Brasília afirma que contato com influenciadores se tratava apenas de orçar um projeto e que banco não tinha conhecimento da iniciativa

Influenciadores relataram nas redes sociais supostos pedidos em nome do BRB (Banco de Brasília) para que eles atuassem na defesa da instituição nas redes sociais. O banco é alvo de críticas por sua associação ao Banco Master, investigado por fraudes financeiras.
Dentre os influenciadores que expuseram os pedidos, estão Renato Breia (@renatobreia), Murilo Duarte (@faveladoinvestidor) e Renata Barreto (@renata.jbarreto). Todos os perfis tratam o mundo do mercado financeiro e de investimentos como seu tema principal.
De acordo com eles, foi lhes enviado um e-mail com o assunto “Orçamento Banco BRB-Urgente".
“O presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, gostaria de convidar a RENATA para um almoço em São Paulo, junto a outros influenciadores, com a finalidade de falar do Caso Master e mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e mercado”, dizia um dos e-mails.
Segundo a mensagem, o encontro contaria com a equipe técnica do banco e teria o objetivo de explicar as “medidas de contenção de danos e as ações de recuperação” para que os influenciadores divulgassem “de maneira transparente” as informações.
Em nota, o BRB negou ter procurado influenciadores digitais para que eles atuassem em sua defesa nas redes sociais. A instituição financeira disse que o contato realizado por agência de marketing de influência não contou com sua anuência.
"O BRB informa que não solicitou, nem autorizou, em momento algum, contato com influenciadores digitais com o objetivo de produção de conteúdo, esclarecimento, manifestações de apoio ou qualquer ação similar relacionada ao caso Master", diz.
A agência Flap afirmou que o contato com influenciadores digitais partiu de uma “iniciativa interna”, com o objetivo de realizar a cotação para um evento que ainda estava em fase preliminar de planejamento. Segundo a empresa, a iniciativa ainda não tinha a aprovação prévia do BRB.
“O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB [...] Reiteramos que, em hipótese alguma, houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial”, diz a agência em nota.
À CNN Brasil, a Flap explicou que é comum que as agências, antes de apresentarem um projeto, orcem um valor de quanto custaria o projeto. De acordo com a empresa, o contato com os influenciadores foi justamente para já terem um orçamento prévio na hora de apresentar o planejamento para o BRB.
Apesar da repercussão do caso, a Flap informou que o contrato com o BRB segue ativo.
BRB e Master
Em março do ano passado, o BRB anunciou a intenção de comprar 58% do capital total do Master, através da aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais, garantindo voto no conselho de administração. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro.
Meses depois, em novembro, a autoridade monetária decretou a liquidação do Banco Master. Na ocasião, o presidente do Master, Daniel Vorcaro; e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foram alvos da operação da Polícia Federal, que apura fraudes nas compras de títulos entre o BRB e o Banco Master.
As investigações indicam que a fraude está estimada em R$ 12 bilhões em carteiras de crédito compradas pelo BRB ao Banco Master.


