INSS, Dataprev: o que dizem as investigações sobre Lulinha

Filho mais velho do presidente Lula é centro de um inquérito de tráfico de influência e corrupção

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Uma investigação aberta contra o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está buscando evidências de que ele estaria envolvido com tráfico de influência e corrupção.

A pedido da própria PF (Polícia Federal), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou, na última quinta-feira (30), que a corporação policial instaurasse um inquérito para apurar as acusações.

O pedido foi enviado ao STF no dia 24 de julho e distribuído a Mendonça, que também é relator do inquérito sobre os desvios bilionários no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), apurados na Operação Sem Desconto, caso em que também há menção a Lulinha.

A suspeita é que ele teria atuado junto ao Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.

A corporação quer investigar se Lulinha atuou para uma empresa em contratos com a estatal vinculada ao Executivo.

A PF suspeita que um empresário do setor de tecnologia da Dataprev tenha atuado com o filho do presidente, o “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, na tentativa de firmar contratos do governo federal.

O interesse pelo medicamento já esteve relacionado à investigação conduzida pela PF para apurar conexões do filho do presidente com Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS" — um dos principais operadores no esquema de desvios bilionários de pensões e aposentadorias e sócio de uma empresa voltada à comercialização do medicamento, a World Cannabis.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou à CNN Brasil que o novo inquérito se trata de uma "fishing expedition", expressão que aponta uma investigação genérica em busca de provas para culpar alguém.

No centro da nova investigação está a empresa 3Structure It LTDA, que atua na área de tecnologia e que tem contratos de R$ 55.721.051,62 com o governo federal em vigência.

A companhia tem quatro contratos vigentes com o governo Lula e é citada no pedido de inquérito da PF e na decisão do ministro André Mendonça, do STF. Lulinha é investigado por supostamente ter feito lobby favorável à empresa junto ao governo federal.

Os dados analisados pela CNN Brasil ainda apontam que a empresa recebeu total em recursos do governo federal, o valor de R$ 46.920.129,96. Esse montante equivale a pagamentos diversos, como despesas, empenhos, notas fiscais, não necessariamente contratos firmados em vigência com os ministérios.

Mendonça determinou que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete, além de que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigação seja comunicado previamente a ele.

*Com informações de Lucas Massei, Jussara Soares e Elijonas Maia, da CNN Brasil