INSS: "Faxineira" investigada trabalhava em prefeitura e recebeu R$ 353 mil

Nome de Sarah Jeslany aparece ligado a outros dois envolvidos no escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas

Elijonas Maia, da CNN, Brasília
Edifício sede da Previdência Social, em Brasília  • José Cruz/Agência Brasil
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Em 1.940 páginas de inquérito, a Polícia Federal (PF) destaca o nome de uma pessoa que, a princípio, pode passar despercebida de ligação com a cúpula do esquema de fraudes no INSS. No entanto, a investigação aponta elo de Sarah Jeslany de Andrade Santos com dois envolvidos e um montante de reais que seria oriundo dos desvios bilionários, o que é apurado como lavagem de dinheiro.

A PF detalha que Sarah recebeu R$ 353.055,43 do empresário Natjo de Lima Pinheiro em 2023. E viajou até Dubai no mesmo ano acompanhando a empresária Cecília Rodrigues Mota.

Natjo e Cecília são donos de empresa e associação de aposentados. Natjo recebeu das empresas de Cecília R$ 400 mil, segundo o relatório da PF, e também a acompanhou em viagens internacionais.

Cecília viajou 33 vezes em 2024, incluindo destinos como Dubai, Paris e Lisboa. A PF suspeita que os pagamentos eram feitos nas contas de “laranjas” para serem sacados no exterior.

A investigação relata que Sarah se declarou como faxineira ao tirar o passaporte. O que causou estranheza a viagem internacional à Dubai e o pagamento vultuoso.

Esse caminho do dinheiro de Cecília para Natjo e depois para Sarah, que acompanhou Cecília em viagem internacional, sugere lavagem de dinheiro, segundo a PF, como uma estratégia para ocultar a origem.

A CNN apurou também que Sarah Jeslany foi comissionada na Prefeitura de Caruaru (PE) em 2022 em cargo de chefia, o que vai em desencontro ao posto de faxineira declarado por ela.

Em 14/04/2022, a gestão municipal nomeou Sarah como coordenadora na Secretaria de Desenvolvimento Rural.

O Diário Oficial de agosto do mesmo ano traz a exoneração da comissionada sem novo cargo.

A reportagem procurou a Prefeitura de Caruaru, que informou que Sarah trabalhou como em "um dos níveis mais elementares na hierarquia funcional", que ela atuou em rotinas internas e no atendimento ao homem do campo. "Mas, após quatro meses, seu desempenho não foi considerado eficiente, acarretando na exoneração", diz.

"A referida ex-servidora municipal tem ensino médio completo e a prefeitura não tem conhecimento de atos delituosos dela enquanto atuou na gestão municipal", completou.

A CNN procurou os empresários, mas não obteve retorno.

Sarah Jeslany não foi encontrada pela reportagem. O espaço está aberto.