Itamaraty afirma que viagem a Israel é “desaconselhada” desde 2023

Segundo o ministério, grupos criminosos aproveitam situação para oferecer passagens aéreas e faz alerta para golpe

Ester Cauany, da CNN*, Brasília
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O ministério das Relações Exteriores (MRE) publicou uma nota nesta segunda-feira (16) para atualizar a situação dos brasileiros em Israel. Segundo o Itamaraty, viagens “não essenciais” ao país do Oriente Médio são desaconselhadas desde 2023.

“A Embaixada do Brasil em Israel mantém, desde outubro de 2023, alerta consular que desaconselha toda viagem não essencial àquele país e recomenda, desde então, que os brasileiros e brasileiras que se encontravam em Israel considerassem deixar o país.”

A convite do governo israelense, uma comitiva de representantes brasileiros, entre prefeitos e secretários, está em Israel, que iniciou um conflito com o Irã na última quinta-feira (12).

Nesta segunda, 12 integrantes da comitiva deixaram o país pela fronteira com a Jordânia. O transporte do grupo foi providenciado pelo governo israelense em “cooperação pessoal com o ministro das Relações Exteriores, [Mauro Vieira]”, segundo a nota.

A comitiva usou um ônibus para fronteira e está no país em deslocamento a outro ponto onde pegarão avião particular para retorno ao Brasil. De acordo com a pasta, o governo israelense oferece o mesmo auxílio às demais 27 autoridades que permanecem em bunkers e abrigos para que deixem o país, o que deve acontecer nos próximos dias.

“O governo brasileiro acompanha com atenção a situação de seus nacionais que se encontram em Israel, incluídos, além de binacionais e turistas, autoridades integrantes de duas comitivas que cumpriam missão oficial àquele país, a convite do governo israelense”, diz o comunicado.

O Itamaraty afirmou ainda que “criminosos por mensagens de aplicativo”, estão oferecendo lugares em voos para deixar Israel e alerta aos brasileiros que o espaço aéreo do país segue fechado, sem previsão para reabertura.

Em nota, a delegação brasileira que estava em missão oficial em Israel manifestou "profundo desacordo e surpresa" com a nota do Itamaraty.

"Tal declaração contradiz frontalmente o que foi afirmado à própria delegação em reunião online com a representação diplomática brasileira em Tel Aviv, realizada no último sábado, 14 de junho. Nessa ocasião, os diplomatas confirmaram ter sido devidamente informados, com antecedência, sobre a missão, particularmente no que diz respeito à segunda comitiva de prefeitos e a um governador, informação esta repassada pelo consórcio de municípios organizador da viagem. Se a representação diplomática foi previamente avisada, como reconheceram seus próprios representantes, questionamos a ausência de qualquer advertência formal ou impedimento à realização da missão", disseram.

As autoridades brasileiras disseram ter estranhado o tom do pronunciamento do governo federal.

"Causa-nos ainda maior estranhamento o fato de que um país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas convide oficialmente autoridades públicas brasileiras — por meio de uma agenda organizada com o apoio direto do governo de Israel — sem que o Itamaraty e a nossa representação diplomática naquele país tivessem conhecimento do fato. Mais grave ainda é que, em meio a um cenário de guerra, quando autoridades brasileiras — eleitas e em pleno exercício de suas funções — se encontram sob risco e buscam o apoio de seu país, recebam como resposta um comunicado que mais se assemelha a uma reprimenda do que a uma manifestação de solidariedade e proteção."