Itamaraty busca negociação com Uruguai para conter disputa territorial

Investimento bilionário em usina eólica reacendeu questionamento centenário sobre região na fronteira entre os dois países

Stêvão Limana, da CNN, São Paulo
Fachada do Ministério de Relações Exteriores, em Brasília
Fachada do Ministério de Relações Exteriores, em Brasília  • Reprodução/Ministério de Relações Exteriores
Compartilhar matéria

O Itamaraty deseja resolver por “vias diplomáticas” a disputa territorial com o Uruguai pela região conhecida como “Rincão de Artigas”, em Santana do Livramento, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Em nota enviada recentemente ao Brasil, o Ministério de Relações Exteriores uruguaio pediu a reabertura de discussões sobre a área, reacendendo uma disputa centenária pelo território.

Segundo apurou a CNN, as tratativas iniciais serão mediante conversas com os representantes das chancelarias dos dois países. O Brasil defende a manutenção da posse do território.

A área possui 237 km² e, por não ser um local de preservação ambiental ou produção agrícola, foi cedida pelo governo federal à Eletrobrás para construção de um parque eólico. A estrutura já recebeu mais de R$ 2,5 bilhões de investimentos.

Esse projeto, que futuramente terá capacidade de fornecer eletricidade para cerca de 1,5 milhão de consumidores, reacendeu a disputa pelo território.

Um comunicado de Montevidéu a Brasília voltou a questionar a legitimidade da posse brasileira do território. No documento, as autoridades uruguaias lembram que o debate chegou a ser abordado em 1988, ano de promulgação da Constituição brasileira, e que ambos os países prezam pela “irmandade, equidade e justiça”.

O Uruguai alega que, ao conquistar sua independência em 1856, houve um acordo para definição das fronteiras do novo país, mas ocorreu um erro na demarcação e, com isso, o Rincão de Artigas ficou equivocadamente sob posse do Brasil.

No Google Maps, o território em discussão está com limites definidos por linhas pontilhadas - o recurso é o mesmo utilizado em regiões com fronteiras em disputa entre países ou que não são oficialmente reconhecidas.