Itamaraty manifesta "consternação" por atentado na Austrália contra judeus

Ataque a tiros na praia de Bondi, em Sydney, durante celebração judaica, deixou mortos e feridos; autoridades tratam o caso como terrorismo

João Scavacin, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O Ministério das Relações Exteriores manifestou "consternação" diante do atentado ocorrido neste domingo (14) em Sydney, na Austrália, durante uma celebração judaica.

Em nota, o Itamaraty informou ter tomado conhecimento do ataque e expressou solidariedade às famílias das vítimas, às pessoas feridas e ao povo e ao governo australianos, além de reiterar o "repúdio" do Brasil a atos de "terrorismo e a quaisquer manifestações de antissemitismo, ódio e intolerância religiosa".

O episódio aconteceu na praia de Bondi e teve como alvo a comunidade judaica local, no primeiro dia do Hanukkah. Segundo a polícia de Nova Gales do Sul, pelo menos 16 pessoas morreram, incluindo um dos suspeitos, e 40 pessoas permanecem hospitalizadas.

As autoridades australianas confirmaram que dois suspeitos foram identificados: um deles morreu e o outro está em estado grave no hospital, sob custódia. A polícia também investiga a possível participação de um terceiro indivíduo no ataque.

Ainda de acordo com o comissário da Polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, um dispositivo explosivo improvisado foi encontrado em um carro em Bondi e estaria ligado ao autor do crime já falecido. As forças de segurança trataram o caso como um incidente terrorista desde as primeiras horas após o ataque e reforçaram o policiamento na região.

Durante a ocorrência, a polícia local utilizou as redes sociais para orientar a população. “Qualquer pessoa no local deve procurar abrigo”, publicou a corporação no X.

Após o ataque, as autoridades isolaram áreas próximas e iniciaram uma operação de emergência para atender as vítimas e apurar as circunstâncias do atentado.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, descreveu as cenas como “chocantes e angustiantes”.

Já o premiê do estado de Nova Gales do Sul, Chris Minns, afirmou que o que deveria ter sido uma “noite de paz e alegria” foi “destruída por este ataque horrível e maligno” e acrescentou que “nossos corações sangram pela comunidade judaica da Austrália esta noite”.

Vídeos que circulam na rede social parecem mostrar pessoas na praia de Bondi se dispersando enquanto vários tiros e sirenes da polícia são ouvidos. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente as imagens.

Outro vídeo mostra dois homens sendo pressionados ao chão por policiais uniformizados em uma pequena passarela. Os agentes podem ser vistos tentando reanimar um dos homens.

Em entrevista à Sky News, Alex Ryvchin, co-diretor executivo do Conselho Executivo da Comunidade Judaica Australiana, comentou que a comunidade foi surpreendida pela dimensão da violência.

"Se fomos alvos deliberados dessa forma, é algo de uma magnitude que nenhum de nós jamais poderia ter imaginado. É uma coisa horrível", declarou Ryvchin, acrescentando que seu assessor de imprensa havia sido ferido no ataque.

O presidente israelense, Isaac Herzog, disse que judeus que foram acender a primeira vela do feriado de Hanukkah na praia foram atacados por "terroristas vis".

Por fim, o governo brasileiro destacou que, até o momento, não há registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas. O texto informa ainda que o Consulado-Geral do Brasil em Sydney segue monitorando a situação e pode ser acionado em caso de emergência.