Jantar com Gleisi deixa empresários preocupados com política econômica de Lula

Segundo participantes do encontro, Gleisi defendeu que o Estado deve ser o indutor do crescimento e que é contra privatizações, inclusive da Eletrobras

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann ESTADÃO CONTEÚDO

Raquel Landim

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Os empresários que participaram ontem de um jantar com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, saíram preocupados, conforme relatos feitos à CNN por participantes do encontro.

O jantar foi organizado pelo grupo Esfera, do empresário João Camargo. É o primeiro de uma série de encontros entre o setor privado e presidentes dos partidos com candidatos à Presidência da República. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o pré-candidato do PT e lidera as pesquisas.

“O clima foi cordial, mas o conteúdo foi horroroso”, disse um dos presentes. A fonte comparou o discurso de Gleisi à política econômica da ex-presidente Dilma Rousseff, que vem sendo escondida pelo PT na campanha.

Segundo participantes, Gleisi defendeu que o Estado deve ser o indutor do crescimento e que é contra privatizações, inclusive da Eletrobras. “Somos contra as privatizações. Hoje o investimento está em 14% do PIB, porque as estatais estão sendo vendidas e não fazem o papel de indutor dos investimentos”, teria dito Gleisi.

A presidente do PT também criticou o lucro da Petrobras e a remuneração de sua diretoria. Ela teria dito que a estatal tem uma margem de 27% de lucro comparado com 9% das grandes empresas do setor. “A diretoria ganhou 30 milhões de remuneração. Meu Deus pra que tanto? Um absurdo”, afirmou ela conforme um empresário presente.

Gleisi também disse que é contra a reforma administrativa porque é preciso valorizar o servidor público – uma postura histórica do PT. O setor privado é muito favorável à reforma administrativa.

Segundo o relato de uma pessoa que participou, a fala de Gleisi teve apenas dois pontos positivos: ela descartou uma revogaço da reforma trabalhista e se comprometeu a trabalhar com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Ela estava acompanhada do economista Gabriel Galípolo, ex-CEO do banco Fator. Empresários presentes dizem que o discurso dele foi mais contemporizador, mas que Galípolo é muito ligado à Unicamp e a política econômica desenvolvimentista.

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