Julgamento dá tração para anistia, mas abrangência ainda é negociada 

Nos bastidores, circulam diferentes versões de um projeto de anistia; oposição diz não abrir mão de versão com perdão a Bolsonaro

Mateus Salomão e Emilly Behnke, da CNN, Brasília
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Com Jair Bolsonaro (PL) no banco dos réus da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), a anistia ganhou tração no Congresso Nacional.

Iniciado o julgamento que pode responsabilizar o ex-presidente por participação no plano de golpe de Estado, a oposição colocou em campo uma nova fase na articulação pela anistia e vê sinais de que a matéria vai caminhar na Câmara.

Embora o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), tenha afirmado que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) indicou que vai pautar a anistia, ainda não há texto fechado. Nos bastidores, circulam minutas e as articulações continuam.

Neste momento, os debates se concentram na abrangência do texto.

As propostas são as mais diversas e incluem, por exemplo, um texto que abrange todos os implicados, desde o inquérito das fake news, até a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro. Outra versão, considerada mais palatável, incluiria apenas as pessoas que depredaram a Praça dos Três Poderes nos ataques de 8 de janeiro.

De acordo com Sóstenes, Hugo Motta ainda não indicou um cronograma. Esta semana o líder do PL e o presidente da Câmara tiveram reunião para tratar especificamente do tema e já têm encontro marcado para a próxima semana.

Hugo, apesar de abrir espaço a essa discussão, não tem indicado que vai pautar a anistia enquanto durar o julgamento de Bolsonaro. “Semana que vem não será nada. Vai ser uma semana mais tranquila para fazermos os diálogos”, explicou Sóstenes em entrevista coletiva na quinta-feira (4).

A reunião de líderes ocorrida na última terça-feira (2) deu esperanças à oposição, que vinha há semanas insistindo na pauta sem sucesso. Líderes afirmam que, na ocasião, o presidente indicou a eles haver maioria na Casa para pautar a anistia.

Teria pesado para Hugo o desembarque de União e PP (Progressistas) do governo federal, além da atuação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), para destravar o assunto. O chefe do Palácio dos Bandeirantes esteve em Brasília esta semana para pressionar.

A oposição vê, assim, crescer a possibilidade de aprovar anistia a Bolsonaro ao término do julgamento do ex-presidente no STF.

Lideranças partidárias de oposição querem aproveitar a “janela de oportunidade” aberta por uma eventual condenação e garantir que a matéria seja aprovada.