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    Laboratórios negam que CPI da Pandemia tenha afetado negociação de vacinas

    Em depoimento à CPI da Pandemia, Ricardo Barros afirmou que a condução dos trabalhos da CPI afastou empresas interessadas na negociação dos imunizantes

    O deputado federal Ricardo Barros na CPI da Pandemia
    O deputado federal Ricardo Barros na CPI da Pandemia Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

    Lucas Rocha, da CNN, em São Paulo

    Em depoimento na CPI da Pandemia nesta quinta-feira (12), o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que a CPI “afastou várias empresas [vendedoras de vacinas] interessadas em fazer negócios com o Brasil” devido à forma como os trabalhos estão sendo conduzidos no Senado.

    O nome do parlamentar teria sido falado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o depoimento do deputado Luis Miranda (DEM-DF), após ter conhecimento de supostas irregularidades no contrato de compra da vacina Covaxin. Segundo Miranda, Bolsonaro teria dito que Barros estava envolvido no “rolo” da Covaxin.

    Em reação à fala de Barros, empresas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiram notas negando que a condução da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tenha impactado negativamente nas negociações sobre a produção e comercialização dos imunizantes contra a Covid-19 para o Brasil.

    Pfizer

    Em nota à CNN, A farmacêutica Pfizer afirmou que dará continuidade aos acordos estabelecidos com o governo brasileiro para o fornecimento de doses do imunizante ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. 

    “Estamos muito honrados em colocar nossos recursos científicos e produtivos a favor de nosso objetivo comum de imunizar a população brasileira contra a Covid-19 o mais rapidamente possível”, diz a nota.

    Segundo a Pfizer, será entregue até o final do ano um total de 200 milhões de vacinas ao país. 

    Fundação Oswaldo Cruz

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), produtora da vacina da AstraZeneca no Brasil a partir do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), afirmou que a CPI da Pandemia não provocou qualquer alteração na relação da fundação com a Universidade de Oxford/AstraZeneca.

    “Trata-se de uma parceria sólida, cujos resultados vêm sendo apresentados à sociedade de forma transparente, e que garante à população brasileira uma vacina com alta efetividade, em um projeto com transferência total da tecnologia e com uma dose que custa menos de 50% do preço médio das demais vacinas registradas no Brasil”, diz o texto à CNN.

    União Química

    Rogério Rosso, diretor de Negócios Internacionais da União Química, disse que o momento é de união.

    “União Química é a primeira indústria farmacêutica, seja pública ou privada, da América Latina , a produzir verticalizadamente  uma vacina contra a Covid-19, nesse caso a Sputinik V – produção do IFA, fracionamento e finalização, com doses produzidas no Brasil e exportadas para a Rússia”, afirma Rosso.

    Questionado se a empresa considera que a CPI atrapalhou as negociações de venda do imunizante para o Brasil, Rosso respondeu que a “União Química empenha todos seus esforços técnicos e científicos nas tratativas com a Anvisa para equacionar e esclarecer os aspectos regulatórios da Sputinik V, em pleno uso em mais de 60 Países e com eficácia comprovada, inclusive sobre novas variantes , acima de 94% de efetividade. Enquanto aguardamos  a autorização da Anvisa para uso da Sputinik V no Brasil , nossa produção continuará sendo dedicada ao mercado externo. A produção de vacinas no Brasil  é questão fundamental e estratégica para o efetivo combate à pandemia  da Covid-19 em nosso País. O momento é de união de esforços.”

    Até o dia 6 de agosto, a Fiocruz realizou a entrega de 81,5 milhões de vacinas ao Ministério da Saúde, responsável pela distribuição aos estados e municípios. Desse total, 77,5 milhões foram produzidas pela Fiocruz e 4 milhões importadas prontas do Instituto Serum, da Índia.