Levantamento da Quaest traz estabilidade entre Lula e Bolsonaro

Em pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11), Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 46% e Jair Bolsonaro com 29%

Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem tecnicamente empatados na disputa presidencial, de acordo com a pesquisa
Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem tecnicamente empatados na disputa presidencial, de acordo com a pesquisa Foto: José Cruz/Agência Brasil e Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Adriana De Lucada CNN

em São Paulo

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A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada em primeira mão pela CNN nesta quarta-feira (11), trouxe estabilidade entre os dois líderes nas intenções de voto para a Presidência da República.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na frente, com 46%. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) soma 29%. O petista subiu dois pontos percentuais em comparação com a última pesquisa, oscilando dentro da margem de erro. Já o atual chefe do Executivo manteve a mesma pontuação.

Desde o último levantamento, Lula ganhou mais apoio entre as mulheres, passando de 47% para 50%. Enquanto metade dos votos femininos é para o petista, Bolsonaro tem apenas 24% das intenções de voto nesse segmento.

Para Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, “essa enorme diferença é explicada por um conjunto de três fatores. A empatia com o presidente, com a personalidade dessa figura pública, a maneira como ele lidou com a pandemia. E, agora, com os resultados negativo que a gente observa na economia.”

Por outro lado, o crescimento do petista entre as mulheres foi anulado pela queda nas intenções de voto entre os evangélicos. O ex-presidente perdeu quatro pontos no grupo e viu o atual presidente ganhar nove.

O perfil de eleitores de Bolsonaro continua sendo majoritariamente masculino. O número de homens que declaram que pretendem votar no atual mandatário subiu de 25% em novembro do ano passado para 39% em maio. Enquanto Lula caiu de 45% para 42%.

“[Bolsonaro] voltou a ter uma recuperação muito grande do público masculino, das regiões Sul e Centro-Oeste, mas também principalmente no público cristão, em particular o público evangélico. Muito motivado pelo fato de que as declarações em torno do aborto dadas recentemente pelo ex-presidente Lula geraram nesse eleitor evangélico uma desconfiança muito grande”, explica Nunes.

De acordo com o responsável pela pesquisa, o crescimento de Bolsonaro nos últimos meses foi interrompido por causa dos conflitos com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maioria dos eleitores disse que reprova o perdão concedido ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e acredita no sistema eleitoral.

Após declarações que foram consideradas polêmicas nas últimas semanas, o ex-presidente Lula pode comemorar o fato de manter intacto o patamar de intenção de votos. Mas a avaliação da Quaest é que o efeito negativo ainda deve chegar com o decorrer da campanha e a exploração dos temas por Bolsonaro.

Já para o presidente, a pesquisa trouxe como boa notícia o terceiro mês seguido de queda na avaliação negativa do governo. Só que há também um sinal de alerta. Hoje os brasileiros consideram que é a economia o maior problema do país.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) —que mede a inflação oficial do país–, desacelerou para 1,06% em abril, corroborando os dados da pesquisa. Essa é a maior variação para o mês desde 1996. No acumulado de doze meses, a inflação é de 12,13%.

“O favoritismo que Lula apresenta na pesquisa hoje é fundamentalmente explicado por essa preocupação que as pessoas têm com os resultados econômicos muito negativos…. presidentes que disputam a reeleição em momentos econômicos negativos tem dificuldade de conseguir essa reeleição”, complementa Nunes.

 

 

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