Líder do governo rejeita ideia de CPI do Master: "Palanque para a oposição"

José Guimarães (PT-CE) afirma que posição da bancada governista ainda deve ser alinhada com o Planalto, mas descarta necessidade de comissão de inquérito

Gustavo Uribe, Emilly Behnke e Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), descartou nesta terça-feira (27) a necessidade de uma comissão de inquérito no Congresso para investigar a fraude financeira do Banco Master. À CNN Brasil, ele declarou que a PF (Polícia Federal) tem feito um trabalho de investigação "implacável".

Na visão de Guimarães, as CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) se tornaram "palanque para a oposição". Segundo o deputado, no entanto, o posicionamento do governo ainda será debatido com a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais.

"CPI é discurso da oposição, é palanque para a oposição", afirmou o parlamentar. "Se depender de mim, não terá CPI ou CPMI porque não é assunto de governo [...] Ainda vou conversar com a ministra Gleisi, mas minha opinião política é uma opinião geral", acrescentou.

Segundo Guimarães, para quem é governo, uma CPI nunca é algo "bom", por ser com frequência utilizada como instrumento pela oposição para desgastar o Executivo.

Ele argumentou que as comissões de inquérito só se justificam quando os órgãos de investigação não estão atuando efetivamente — o que descartou ser o caso ao enaltecer o trabalho da PF e a atuação do Banco Central.

"Tenho defendido que, em todas essas crises e esses momentos mais tensos da política brasileira, o governo tem que se preocupar com a sua agenda", disse.

Guimarães também minimizou a possibilidade de o caso do Banco Master afetar a imagem do governo. Ele defendeu a investigação do caso ao afirmar que "quem não deve, não teme".

"A PF adquiriu esse status de autonomia que para nós nos conforta, numa operação desta monta, sabermos que a coisa está sendo apurada doa em quem doer. Se tem algum ente federado, enfim, qualquer que seja a personalidade de República envolvida, se apura. Apurar não faz mal a ninguém. Quem não deve, não teme", declarou.