William Waack

Líder do PT acredita em avanço de projeto antifacções só após a COP30

Texto foi assinado pelo presidente Lula na semana passada após megaoperação no Rio que deixou 121 mortos

Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
Lindbergh Farias
Deputado Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara  • Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), acredita que o projeto antifacções, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada, só deve avançar na Casa após a COP30.

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas acontece em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro. Mas, também haverá outros eventos relacionados à COP acontecendo durante o mês. Por isso, a expectativa é de que a pauta da Câmara fique mais esvaziada a partir da semana que vem.

“[A análise só deve ser] depois da COP. Não vejo clima para você votar um projeto desse à distância”, declarou Lindbergh.

O Ministério da Justiça afirma que o projeto atualiza a Lei de Organizações Criminosas e cria a figura da “facção criminosa”. As penas previstas são de oito a 15 anos de prisão se a organização atue para controlar territórios ou atividades econômicas, com o uso de violência, coação ou ameaça.

“Homicídios cometidos por ordem ou em benefício de facções criminosas poderão levar a penas de 12 a 30 anos, passando a ser enquadrados como crimes hediondos. O aumento da pena também poderá incidir caso haja evidências de que a facção criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes e se houver transnacionalidade da organização, domínio territorial ou prisional pela organização criminosa e morte ou lesão corporal de agente de segurança pública”, diz a pasta.

Governistas apostam que a COP será uma boa oportunidade para que Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conversem sobre esse projeto e outros em discussão na Casa.

Inclusive, sobre a tentativa de parte da oposição e do centrão de avançar com o texto que equipara organizações criminosas a organizações terroristas.

Aliados de Lula são contra esse segundo texto, pois têm receio de que abra brechas para interferências estrangeiras no Brasil, com a justificativa de combate ao terrorismo, e até para criminalizar movimento sociais.

Membros do PT ainda veem no texto "antiterrorismo" uma tentativa de a oposição criar um embaraço ao governo federal, atrapalhar a relação Lula-Donald Trump. Para o próprio Lindbergh, o projeto, se aprovado, tem “esse potencial” ao agir diretamente na relação entre os presidentes num momento de distensionamento.

Na terça-feira (4), o deputado federal Danilo Forte (União Brasil-CE) pediu que se junte o texto antifacções com o que tipifica o crime organizado como terrorismo.