Lula cobra Congresso: "Não é possível fazer educação de graça"

Em discurso, presidente afirmou que “educação custa”, defendeu o Pé-de-Meia e disse ser dever do Estado, e não da “família ou de Deus”, garantir a permanência dos jovens na escola

Ester Cauany e Leticia Martins, da CNN, Brasília e São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou o Congresso Nacional, nessa segunda-feira (11), durante a cerimônia de entrega do Prêmio MEC da Educação Brasileira, no Palácio do Planalto, em Brasília. O petista afirmou que "não é possível fazer educação de graça".

"Nós resolvemos mudar a regra do jogo, para mudar a regra do jogo é preciso convencer a sociedade, o Congresso Nacional, o próprio governo de que não é possível fazer educação de graça", disse Lula.

“Esse número que o ministro Camilo citou, de que um terço da população não terminou o ensino fundamental, é resultado do descaso com a educação. Nós resolvemos mudar a regra do jogo. Educação custa, porque precisa de infraestrutura, laboratórios, conhecimento científico e professores que precisam receber salário de forma satisfatória, esse é um problema que nós precisamos resolver”, continuou.

O chefe do Executivo ainda citou o Pé-De-Meia como uma "desafio extraordinário". O programa busca garantir a permanência dos alunos na escola por meio de incentivo financeiro voltado para estudantes de baixa renda da rede pública.

"O Estado não pode transferir a sua responsabilidade para a família, ou para Deus é preciso que a gente assuma a responsabilidade e foi por isso que criamos o pé de meia, para garantir que os jovens possam continuar estudando. E eu tenho certeza que para aqueles que pensam que nos estados estudando meninos no ensino técnico, eles vão agradecer o dia em que esse país teve um governo que se preocupou em não deixar os nossos adolescentes desistir do ensino", prosseguiu Lula.

Nesta tarde, o MEC (Ministério da Educação), buscou promover o reconhecimento pelos resultados positivos na educação básica e valoriza redes públicas de ensino, escolas, estudantes e outros atores escolares.

Segundo o governo, o objetivo da premiação foi incentivar a adoção de políticas, programas, estratégias e iniciativas destinados à melhoria da qualidade da aprendizagem na educação básica, aspectos alinhados ao PNE (Plano Nacional de Educação).

Defesa da soberania

Em meio a tensão comercial com os Estados Unidos, durante o evento, Lula voltou a defender a soberania do Brasil nesta segunda-feira (11). Para o presidente, "o mundo está ficando mais perverso, mais nervoso e nós precisamos de um país soberano".

“Quem pensa pequeno, sonha pequeno. É preciso sonhar grande. O mundo está ficando mais perverso, mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático”, disse Lula, que completou dizendo que "o povo brasileiro seja o único dono do seu nariz aqui nesse país".

Após a confirmação do tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 30 de julho, Lula reagiu dizendo que era "um dia sagrado da soberania".

Lula reagiu dizendo que era "um dia sagrado da soberania".