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    Lula confirma escolha do general Amaro para ser o novo ministro do GSI

    Marcos Antonio Amaro dos Santos chega para substituir Gonçalves Dias, que se demitiu da pasta em 19 de abril

    General Marcos Antonio Amaro dos Santos
    General Marcos Antonio Amaro dos Santos Rovena Rosa/Agência Brasil

    Teo Curyda CNN

    em Brasília

    O general da reserva Marcos Antonio Amaro dos Santos aceitou nesta quarta-feira (3) convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A informação foi confirmada por um ministro do governo e por fontes que participaram do convite.

    Pela manhã, Lula se reuniu com general Amaro e José Múcio Monteiro Filho, ministro da Defesa. O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e foi o segundo entre Lula e o futuro ministro.

    A escolha do general para comandar a pasta representa uma derrota para uma ala de ministros e auxiliares do presidente que pregam uma desmilitarização do governo e um maior protagonismo de policiais federais e agentes de segurança pública.

    Integram essa ala, entre outros, o ministro Flávio Dino (PSB-MA), da Justiça e Segurança Pública, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a primeira-dama Rosângela Lula Silva, a Janja.

    Lula se reuniu pela primeira vez com o general antes de embarcar para sua primeira viagem para a Europa há duas semanas. Naquele encontro, que durou cerca de dez minutos, o presidente apresentou a ele sua visão sobre a pasta.

    Integrantes das Forças Armadas classificam o general como sendo um homem calmo, ponderado e conciliador e acreditam que, por conta de seu perfil, pode ser a escolha ideal para o atual momento de reestruturação do GSI.

    A saída do general Gonçalves Dias do GSI, após a revelação pela CNN de vídeos mostrando sua atuação no dia 8 de janeiro, reacendeu no governo a discussão em torno do futuro da pasta, que foi esvaziada desde o início do ano.

    O GSI perdeu duas de suas principais atribuições nos últimos meses. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada à pasta, passou a responder à Casa Civil, chefiada pelo ministro Rui Costa.

    Já a segurança do presidente e do vice-presidente deixou de ser feita exclusivamente por militares e passou a ser realizada majoritariamente por policiais federais subordinados à Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata do Presidente da República.

    A estrutura do GSI sob o comando do general Amaro ainda é incerta. O novo ministro terá de buscar o consenso entre a ala que defende um fortalecimento da presença de policiais federais e agentes de outras forças de segurança na proteção presidencial em detrimento de quem defende a permanência de militares no governo.

    Um dos entraves diz respeito à relação de cooperação entre civis – representados por policiais federais – e militares em um eventual GSI repaginado. O fim da Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata do Presidente da República previsto para o dia 30 de junho poderia levar esses agentes que atuam na segurança de Lula e Alckmin para o guarda-chuva do GSI.

    Policiais federais ouvidos pela CNN, no entanto, dizem não querer responder a militares. A escolha pelo nome do general Amaro representa agora um obstáculo para os civis que defendem uma maior participação de policiais federais e agentes de segurança no governo.

    Recentemente, em entrevista ao portal “Terra”, Amaro desaprovou a ideia de militares no GSI compartilharem a função de segurança e proteção do presidente e do vice com policiais federais.

    General Amaro assume o GSI / Carolina Antunes/PR

    Quem é o general Amaro

    Marcos Antonio Amaro dos Santos nasceu em 25 de setembro de 1957 na cidade de Motuca, no interior de São Paulo. É filho de Joaquim Amaro dos Santos e de Iolanda Zanon.

    Seu ingresso no Exército Brasileiro aconteceu em 4 de março de 1974, na Escola Preparatória de Cadetes, onde concluiu o curso em 1976. No ano seguinte, entrou para a Academia Militar das Agulhas Negras. Se formou em 1980, sendo declarado aspirante a oficial de Artilharia.

    Amaro realizou os cursos de formação, aperfeiçoamento, altos estudos, política, estratégia e alta administração do Exército, além do básico de paraquedista e o de observador aéreo.

    Nos Estados Unidos realizou os cursos de busca de alvos de artilharia e o avançado de artilharia de campanha.

    Concluiu os MBAs em Excelência Gerencial com ênfase em Gestão Pública pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    Em sua vida militar serviu nas unidades militares de Artilharia em Jundiaí (SP), no Rio de Janeiro e em Olinda (PE). Retornou às Agulhas Negras como instrutor e executou a mesma função na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.

    Como coronel comandou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército entre 2004 e 2005. De 2007 a 2010 foi chefe da Divisão de Inteligência do Centro de Inteligência do Exército.

    Ao chegar ao generalato, liderou a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Cuiabá.

    Em 2015, com a reforma ministerial executada pela então presidente Dilma Rousseff (PT), o GSI perdeu o status de ministério e foi integrado à Secretaria de Governo. Na ocasião, ficou mantida exclusivamente a Casa Militar, que foi ligada à Presidência da República, com Amaro à frente. Anteriormente, foi secretário de Segurança Presidencial.

    Depois assumiu a 3ª Divisão de Exército em Santa Maria (RS). Em 2018 se tornou secretário de Economia e Finanças do Exército.

    Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em abril de 2020, assumiu a chefia de Estado-Maior do Exército. Em julho do mesmo ano passou a acumular a função de comandante militar do Sudeste.

    O general Amaro foi para a reserva da força em janeiro deste ano.

    (Com informações de Douglas Porto)