Lula critica empresários por não aceitarem reduzir benefícios fiscais
"Empresários reclamam, mas têm praticamente 500 bi em isenção", disse o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (20) que os empresários "reclamam", mas "têm praticamente mais de 500 bilhões" em desoneração e isenção fiscal, além de dizer que o setor não quer baixar "nem 1%" dos benefícios.
A fala ocorreu durante a cerimônia de lançamento do programa Reforma Casa Brasil, que tem como objetivo facilitar o acesso a financiamentos para reformas e ampliações residenciais para famílias de baixa e média renda.
"Eu quando vejo, Haddad, os empresários, às vezes, criticarem a gente. (...) Tinha gente que não queria que a gente criasse esse programa de reforma de casa. Porque para o mercado não interessa. Você sabe que os empresários que reclamam de nós, eles têm praticamente mais de 500 bilhões de desoneração em isenção fiscal e eles não querem baixar 1% disso", disse Lula.
Em outro momento do evento, o chefe do Executivo também afirmou que nenhum outro governo teve mais responsabilidade fiscal que o seu atual, além de dizer que o BC (Banco Central) "vai precisar começar a baixar os juros", ao dizer que "todo mundo sabe o que nós herdamos", em tom de crítica ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Eu duvido que, em algum momento, teve alguém nesse país que tivesse pelo menos 10% do compromisso que a gente tem com a questão fiscal. Esse país nunca foi tratado com seriedade", disse.
Para o presidente, o desempenho da economia, como o controle da inflação, fará com que o BC reduza a taxa de juros, hoje em 15% — uma das mais altas do mundo.
Também durante a cerimônia, Lula voltou a citar a reação do Brasil ao tarifaço dos Estados Unidos sobre as importações de produtos brasileiros. “A gente não baixou a cabeça”.
Reforma Casa Brasil
O programa contará com R$ 30 bilhões do Fundo Social, destinados a famílias com renda de até R$ 9,6 mil. O fundo é abastecido principalmente com recursos dos royalties do petróleo.
A Caixa também disponibilizará R$ 10 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para rendas acima desse limite, totalizando R$ 40 bilhões em crédito habitacional.
O programa será dividido em três faixas:
- Faixa 1: renda de até R$ 3.200, com juros a partir de 1,17% ao mês;
- Faixa 2: renda entre R$ 3.200,01 e R$ 9.600, com juros de 1,95% ao mês;
- Acima de R$ 9.600: condições estabelecidas pela Caixa.
As famílias poderão financiar valores a partir de R$ 5.000 nas faixas 1 e 2, com prazo de pagamento de até 60 meses.
Os recursos poderão ser utilizados para a compra de materiais, pagamento de mão de obra e contratação de serviços técnicos, como elaboração de projetos e acompanhamento das obras.
A operação será digital, com início em 3 de novembro, pelo site ou aplicativo da Caixa.
O valor das parcelas será limitado a 25% da renda familiar, e cada família poderá ter apenas um financiamento ativo por vez.
Para famílias com renda superior a R$ 9,6 mil, as condições serão definidas pela Caixa, prevendo financiamentos a partir de R$ 30 mil, prazo de até 180 meses e taxas conforme o valor do crédito.
A meta inicial do governo é atingir 1,5 milhão de contratações.
*Sob supervisão de Douglas Porto


