Lula critica tarifaço por desmatamento e diz que EUA está "careca"

Desflorestamento foi um dos principais argumentos usados pelo governo norte-americano para justificar proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, Manoela Carlucci e Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo
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Durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (ou "Conselhão") nesta quarta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o posicionamento do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), que aconselhou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos.

Segundo o presidente, foi recomendada a discussão com os americanos por "nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito". No discurso, Lula também rebateu a justificativa do governo americano, que utilizou uma suposta alta no desmatamento ilegal como um dos fatores para o novo tarifaço.

O chefe do Executivo falou que os americanos não "percebem que eles já estão carecas", em referência ao terreno americano e suas florestas.

"Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de um diretor financeiro de não sei das quantas impor multa, impor multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas e que nós ainda estamos como jogador, cortando só um pedacinho aqui do lado?", declarou Lula.

Ainda mais cedo, durante a reunião, o vice-presidente Geraldo Alckmin falou sobre o equilíbrio brasileiro em expandir as exportações do agronegócio enquanto o país registra queda no desmatamento. Segundo dados do sistema Deter citados pelo ministro, a Amazônia registrou redução de 35% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.

"Batemos recorde de exportação agrícola no ano passado. US$ 169 bilhões (cerca de R$ 876 bilhões). [...] E, ao mesmo tempo, batemos recorde da queda de desmatamento. Isso mostra que as coisas não são antagônicas, mas que podemos ter sinergia", declarou

Novas tarifas americanas

A decisão dos Estados faz parte de uma investigação iniciada pelo USTR no último ano e que gerou um relatório divulgado na última semana sobre políticas e práticas comerciais "irrazoáveis" com os EUA.

As alegações da investigação são baseadas nos termos da chamada Seção 301 — ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

Além do desmatamento, o órgão também apontou outros pontos que prejudicariam o comércio Brasil-Estados Unidos, como o uso do Pix, taxas brasileiras sobre o etanol brasileiro e a pirataria.

Se acatada a recomendação do órgão americano, a nova tarifa de 25% para alguns produtos entrará em vigor a partir de 15 de julho. No entanto, o parecer exclui alguns produtos considerados estratégicos ao mercado americano, como café, minérios e commodities energéticas.

Conforme divulgou a CNN, membros do governo brasileiro devem se reunir remotamente nesta sexta-feira (12) para discutir as tarifas com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.