Lula critica Trump e diz que Brasil já perdoou papel dos EUA no golpe de 64
Presidente volta a afirmar que Eduardo Bolsonaro incentiva governo americano a impor tarifas sobre produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quarta-feira (13), que o Brasil já perdoou a participação dos Estados Unidos no golpe de 1964. A declaração, durante a abertura da 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária, foi dada no contexto das sanções que o governo americano tem aplicado ao Brasil.
“Um presidente da república como de um país importante como os EUA não pode ter o comportamento que ele teve em relação ao Brasil. São 200 anos de relações diplomáticas. Até já perdoamos a participação deles no golpe de 64, até já perdoamos, nem fazemos mais isso, fizemos anistia”, afirmou.
Lula voltou a dizer que tem tentado dialogar com os EUA, mas que há pouca abertura. Ele também criticou o papel que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem desempenhado do exterior.
“Um cidadão, filho de outro cidadão, que é deputado federal foi para os EUA instigar o governo americano a fazer taxação nos produtos que nós exportamos pra lá”, completou.
Direitos humanos
Mais cedo, Lula disse que “ninguém está desrespeitando direitos humanos” no Brasil. Ele ressaltou que o Brasil tem Poder Judiciário autônomo, garantido na Constituição de 1988.
“Ninguém está desrespeitando regras de direitos humanos como estão tentando apresentar ao mundo” , acrescentou.
As declarações foram dadas durante evento em que foi anunciado o plano de contingência contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e acontecem na esteira da publicação de um relatório em que o governo dos EUA diz que situação se deteriorou no território brasileiro.
“Nossos amigos americanos, toda vez que eles resolvem brigar com alguém, eles tentam criar uma imagem de demônio contra as pessoas que eles querem brigar”, afirmou Lula.
“O Brasil não tinha efetivamente nenhuma razão para ser taxado e tampouco aceitaremos qualquer pecha de que no Brasil nós não respeitamos os direitos humanos”, completou.


