Lula diz que Judiciário não busca "protagonismo" nem invade outros Poderes

Presidente disse ainda que ministros da Suprema Corte enfrentaram "toda sorte de pressões e até ameaças de morte" e ainda, sim, "não fugiram de seu compromisso constitucional"

Leticia Martins e Gabriela Boechat, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (2), que o Poder Judiciário não busca "protagonismo" e nem invade outros Poderes.

"Nesses últimos anos, o judiciário tem sido guardião da Constituição, do Estado Democrático de Direito e da soberania do voto popular. O Supremo Tribunal Federal não buscou protagonismo, muito menos tomou para si atribuições de outros poderes", disse Lula durante da abertura do ano Judiciário, com uma cerimônia realizada no plenário da Corte, em Brasília.

"Agiu no estrito cumprimento de sua responsabilidade institucional, defendeu a Constituição, garantiu a integridade do processo eleitoral e protegeu a liberdade do voto", prosseguiu o chefe do Executivo.

Lula destacou ainda que os ministros do STF enfrentaram "toda sorte de pressões e até ameaças de morte" e ainda, sim, "não fugiram de seu compromisso constitucional e reafirmaram que, no Brasil, divergências políticas se resolvem pelas urnas, pelo diálogo institucional e pelas leis".

A solenidade marca a retomada oficial dos trabalhos após mais de um mês de recesso e reúne autoridades dos Três Poderes e representantes de instituições do sistema de Justiça.

Recado aos golpistas

O mandatário brasileiro dedicou parte de seu discurso ao julgamento de alguns dos envolvidos no plano de golpe, que ocorreu ao longo de 2025 pela condução da Primeira Turma do STF. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive, foi um dos condenados pela trama golpista. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses na Papudinha, em Brasília.

Para o petista, a "democracia não se curva a intimidações de quem quer que seja".

"A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara. Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei. Mostrou também que a democracia não é imune", ressaltou o presidente.

Lula disse também que "o Brasil demonstrou mais uma vez que é muito maior do que quaisquer golpistas ou traidores da pátria".