Lula diz não ter indicado Moraes, mas elogia "serviços à democracia"
Presidente relembrou atuação do ministro à frente do TSE durante as eleições de 2022; em declaração petista defendeu julgamento de "todos que cometeram erro"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes "prestou grandes serviços à democracia brasileira" quando esteve à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O chefe do Executivo disse, no entanto, que não foi o responsável pela indicação do ministro, assim como dos ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça.
"Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez pra destruir a credibilidade das urnas brasileiras", disse, nesta quarta-feira (16) em entrevista ao podcast Desce a Letra.
A fala ocorre um dia após o STF realizar uma sessão extraordinária para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo Lula, a atual configuração do STF também foi montada pela oposição e, inclusive, o também candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) votou na indicação de ministros da Corte como senador.
"Veja, eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte, ele [Flávio] era senador, ele deve ter votado, né, no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando ele indicaram o Kassio, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando ele indicaram o André Mendonça, portanto ele é o culpado e não eu", disse o chefe do Executivo.
À época da aprovação da indicação de Moraes, em 2017, Flávio ainda era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, portanto não participou do processo de escolha. O senador foi deputado estadual até 2018, quando foi eleito para o Senado.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Na primeira parte da sessão, o ministro Gilmar Mendes pediu uma questão de ordem que incluía, entre outros pontos, solicitação pela análise conjunta dos casos de Alexandre de Moraes e do ministro André Mendonça.
Em referência aos acontecimentos do dia anterior, Lula defendeu que "todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado." "O que eu defendo é um julgamento justo", completou o presidente.
Ainda sobre Moraes, o petista afirmou que o grupo político de seu principal adversário nas eleições gerais deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL), tem "obsessão" em "pegar Alexandre de Moraes".
"A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles tem raiva. Ele [Flávio Bolsonaro] tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro", afirmou o presidente.


