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    Eleições 2022

    Lula e PT traçam plano para se aproximarem de eleitores evangélicos

    Projeto foi elaborado pelo pastor Paulo Marcelo Schallenberger, da Assembleia de Deus; texto sugere que campanha evite "polemizar assuntos que gerem conflitos com a doutrina cristã"

    Leandro Resendeda CNN

    no Rio de Janeiro

    Foi entregue ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça-feira (22), um projeto direcionado para se comunicar com o eleitorado evangélico. Entre as propostas estão a criação de um podcast voltado a esse público, já aprovado pela legenda, e a orientação para que a campanha evite “polemizar assuntos que gerem conflitos com a doutrina cristã”.

    O texto foi elaborado pelo pastor Paulo Marcelo Schallenberger, da Assembleia de Deus, que desde dezembro de 2021 tem assessorado Lula e o PT com o objetivo de montar um plano para dialogar com os milhões de evangélicos de várias denominações espalhadas pelo país – líderes de boa parte delas estão engajadas na campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

    De acordo com o projeto, a estimativa é que cerca de 40 milhões de votos estejam ligados às igrejas evangélicas no país.

    A CNN entrou em contato com a assessoria de Lula, que não confirmou a realização de uma reunião entre o pastor Paulo Maurício e o petista nesta terça.

    No entanto, a reportagem apurou que o documento foi entregue no começa da tarde, por volta das 13h30. Ainda nesta terça, está prevista para 15h, uma reunião entre Lula e o ex-governador Márcio França para discutirem sobre as eleições em São Paulo.

    Schallenberger foi apadrinhado político do deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), um dos principais defensores de Bolsonaro junto aos evangélicos.

    À CNN ele afirmou que o voto evangélico irá, de novo, decidir as eleições de 2022 e defendeu que a campanha eleitoral na TV seja ferramenta para Lula dialogar com esse público.

    “A esquerda precisa entender que nem todos são intolerantes, não somos um bloco de pensamento único. E há espaço para recuperar quem votou em Lula, mas se ressentiu e passou a apoiar Bolsonaro”, afirmou o pastor, que atua como independente da Assembleia de Deus.

    Segundo o pastor, a forma de comunicar ao eleitorado evangélico a posição do PT sobre temas caros aos religiosos, como a extensão do direito ao aborto ainda será definida por Lula. A ideia, enfatizada no projeto, é deixar temas polêmicos de lado e reforçar a “memória dos benefícios que foram concedidos pelo PT em seus governos para os cristãos evangélicos”.

    O documento faz um diagnóstico de como está a imagem do PT no eleitorado evangélico: associado a pautas anticristãs, interessado em obrigar as igrejas a praticarem atos contrários à sua doutrina, e que não querem o grupo no poder.

    Para mudar o quadro, o plano elaborado por Schallenberger sugere, por exemplo, que o PT apoie a eleição de parlamentares comprometidos com a causa evangélica, apoie atividades sociais das igrejas e deixe claro que o compromisso da legenda com o respeito à diversidade não é “indução à mudança de costumes”.

    O pastor entende que o desafio é grande: de um lado terá que convencer eleitores que se engajaram por Bolsonaro nos últimos 4 anos e do outro, precisará mudar a visão de setores mais à esquerda da sociedade sobre os evangélicos.

    “As igrejas estão sofrendo muito com a proximidade com o atual governo. O PT precisa deixar isso claro. E a esquerda precisa entender que o Lula, com a trajetória dele, está indo para o centro. Se chegar só no confronto, não vai convencer ninguém”, disse o pastor.

    O projeto previsto para ser entregue a Lula traz também uma série de sugestões para estabelecimento da comunicação com este eleitorado nas redes sociais. Um podcast, aprovado pelo PT, tratará de temas como “expansão dos templos, benefício aos pastores e líderes em relação ao trânsito para suas atividades eclesiásticas”.

    Presidenciáveis procuram evangélicos

    Não é só Lula que se movimenta para tentar cativar o eleitorado evangélico. O analista de política da CNN Iuri Pitta revelou, no mês passado, uma carta de Sergio Moro (Podemos) com uma série de compromissos estabelecidos para tentar engajar apoio nas igrejas.

    O presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, fez diversas sinalizações ao grupo como, por exemplo, na indicação do ministro André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF).