Lula exalta avanço de negros em programas sociais e no acesso à educação

Ao destacar avanços, presidente alerta que racismo estrutural persiste e defende Estado ativo contra desigualdade histórica da população negra

Helena Prestes e Mateus Salomão, da CNN, Brasília
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou, nesta segunda-feira (15), a presença majoritária da população negra entre os beneficiários das atuais políticas públicas do governo federal.

Lula ressaltou a importância dos programas sociais e do acesso à educação como instrumentos no enfrentamento ao racismo no Brasil.

“É muito importante que a gente olhe a fotografia que ajudamos a construir. O Bolsa Família tem 19,2 milhões de famílias beneficiadas. Dessas, 73% são chefiadas por pessoas negras, ou seja, 14 milhões. O Pé de Meia, com 4 milhões de estudantes beneficiados em 2025, terá 49% de meninos e meninas negras — quase 2 milhões", disse Lula.

"O ProUni contou com 57% de pessoas negras inscritas. Hoje, em lugares onde antes havia maioria de brancos, encontramos a verdadeira cara do Brasil: a cara negra. Pessoas que não querem mais ser chamadas de morenas, mas de negras, porque reconhecem na negritude um motivo de orgulho”, prosseguiu o presidente durante a 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

O chefe do Executivo reforçou que o país já avançou no caminho da igualdade, mas que ainda há um percurso desafiador pela frente.

“Avançamos muito em nossa caminhada, mas ainda temos um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito ao racismo de todos os dias, enfrentado pela população negra em diferentes frentes.”

O presidente também criticou a falta de continuidade em políticas voltadas à igualdade racial nos últimos anos: “Nos últimos sete anos, governos jamais lembraram ou pensaram em fazer uma conferência para ouvir, mais uma vez, as mulheres e as pessoas negras deste país.”

A Conferência Nacional da Igualdade Racial, organizada pelo Ministério da Igualdade Racial, foi criada em 2005, no primeiro governo Lula. Após sete anos de interrupção, o evento foi retomado neste ano pela pasta comandada por Anielle Franco.

Lula destacou ainda a herança da escravidão como raiz da desigualdade social no país.

“O Brasil foi a maior potência escravocrata do período colonial e a última nação do planeta a abolir o tráfico humano. Ao longo de cinco séculos, a concentração de riqueza na mão de poucos e a exclusão da população negra produziram um gigantesco abismo social. Esse abismo o nosso governo tomou a decisão de enfrentar. Hoje, 73,3% das famílias beneficiárias de nossos programas sociais são chefiadas por pessoas negras.”

Segundo Lula, as políticas contra a desigualdade são um compromisso do Estado brasileiro com a população.

“Para nós a promoção da igualdade racial é e segue sendo um compromisso ético, mas também uma diretriz política e econômica de desenvolvimento, condição necessária para consolidar a democracia num contexto em que a parcela mais pobre da população, em sua maioria negra, esteve historicamente excluída de seus direitos mais elementares. O Estado brasileiro não pode ser neutro nessas situações.”