Em aceno a evangélicos, Lula fala em compromisso "cristão" contra fascismo

Em tentativa de se aproximar do segmento religioso, petista também disse que condena jogos de azar e cassinos "como cristão"

Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira (14) que existe um compromisso para evitar a "volta" de um fascista ao poder. Em aceno ao eleitoral evangélíco, o petista afirmou que, além de um empenho moral e ético, também existe um compromisso "cristão".

"Tenho um compromisso moral, ético, eu diria até cristão, de não permitir que um fascista volte a governar esse país", disse o presidente ao ser questionado sobre quais seriam os seus motivos para concorrer a um quarto mandato como presidente da República. A declaração se deu em entrevista ao portal Brasil 247.

Essa não foi a única menção de Lula à comunidade cristã durante a entrevista. Ao falar sobre as bets (plataformas de aposta online), o chefe do Executivo também fez acenos a essa parte do eleitorado: "Nós brigamos a vida inteira contra os cassinos. Eu, pelo menos, como cristão". Disse ainda que era "do tempo" em que a Igreja Católica "não deixava pensar em cassino".

Embora a Bíblia não traga uma proibição explícita aos jogos de azar, diferentes trechos são frequentemente interpretados por lideranças religiosas como um desencorajamento à prática, sobretudo por associarem o jogo à ganância, ao apego ao dinheiro e à busca por ganhos fáceis.

Com a fala, Lula tenta, além de atacar o clã Bolsonaro e criticar as bets – para ele, um dos fatores para o superendividamento da população –, se aproximar do público evangélico. O segmento é responsável por grande parte do apoio dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, agora, ao seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto.

Ao longo de seu terceiro mandato, Lula tem tentado melhorar sua relação com o segmento religioso.

No ano passado, assinou decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural e indicou o advogado-geral da União Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal). Assim como André Mendonça, o ministro "terrivelmente evangélico" nomeado por Bolsonaro, Messias também segue a religião.

No entanto, a proximidade da direita com esses grupos ainda é maior.

Além de Bolsonaro ter utilizado o lema "Deus, pátria e família" durante todo o seu governo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) também é evangélica e faz acenos constantes a essa parte do eleitorado. Em seu primeiro evento público como pré-candidato, Flávio participou de um culto, em Brasília.