Lula lamenta a morte de papa Francisco e decreta luto de 7 dias no Brasil

Vaticano comunicou a morte do pontífice argentino, aos 88 anos, nesta segunda-feira (21)

Isabel Mega e Patrícia Nadir, da CNN, Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a morte do papa Francisco, aos 88 anos, nesta segunda-feira (21). Em nota, Lula decretou luto de sete dias no Brasil e afirmou que a humanidade perdeu uma voz de respeito e acolhimento.

"É declarado luto oficial em todo o país, pelo período de sete dias, contado da data de publicação deste decreto, em sinal de pesar pelo falecimento de Jorge Mario Bergoglio, Sua Santidade o Papa Francisco, a quem serão tributadas honras fúnebres de chefe de Estado", diz o decreto.

Em nota, Lula destacou qualidades do sacerdote e manifestou desejos de conforto aos que "sofrem a dor dessa enorme perda".

Com sua simplicidade, coragem e empatia, Francisco trouxe ao Vaticano o tema das mudanças climáticas. Criticou vigorosamente os modelos econômicos que levaram a humanidade a produzir tantas injustiças. Mostrou que esse mesmo modelo é que gera desigualdade entre países e pessoas. E sempre se colocou ao lado daqueles que mais precisam: os pobres, os refugiados, os jovens, os idosos e as vítimas das guerras e de todas as formas de preconceito".

Lula e o papa Francisco estiveram juntos em junho do ano passado, em uma visita do presidente à Itália, acompanhado da primeira-dama Janja. Em uma reunião bilateral, o argentino e o brasileiro trataram de temas como a paz mundial, combate à fome e desigualdades.

Sem Lula, Janja esteve com o papa no dia 12 de fevereiro deste ano. Ela foi até Roma para participar da 48ª Sessão do Conselho de Governança do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e relatou a emoção de se encontrar com o pontífice no Vaticano.

"O papa está bem, animado e sempre sorridente, enchendo nossos corações de esperança e amor”, disse Janja à época.

Em 26 de fevereiro, com a piora do quadro de saúde de Francisco, Lula e Janja organizaram uma missa pela saúde do papa na capela Nossa Senhora da Conceição, no Palácio da Alvorada.

O papa passou por episódios de dificuldades respiratórias no começo do ano. Ele ficou internado por quase 40 dias no Hospital Gemelli e recebeu alta no dia 23 de março.

Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, assumiu o comando da Santa Sé em março de 2013. Ele marcou a história da Igreja Católica como o primeiro papa latino-americano e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo.

Papa e presidentes brasileiros

Durante o papado de Francisco, o Brasil teve quatro presidentes: Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Dos quatro, apenas Dilma e Lula tiveram encontros presenciais com o pontífice argentino enquanto ocupavam a Presidência da República.

Lula o encontrou em duas ocasiões diferentes como presidente. Além do encontro em junho do ano passado, o petista e Janja foram recebidos pelo papa no Vaticano em junho de 2023, quando debateram sobre temas de direitos humanos.

Lula também se reuniu com o religioso em 2020, quando o petista viajou até a Santa Sé para abordar temas como fome, desigualdade social e intolerância na conversa com o pontífice.

Com Dilma, o papa se encontrou três vezes. A primeira vez foi março de 2013, no Vaticano, após a cerimônia de início do pontificado, quando o descreveu como carismático e comprometido com os pobres.

Em julho do mesmo ano, Francisco visitou o Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, sendo recebido por Dilma com flores no Rio. Em 2014, os dois se reencontraram na Itália, durante a oficialização de Dom Orani Tempesta como cardeal, quando Dilma o convidou para a Copa do Mundo.

Já Michel Temer não se reuniu com o papa durante seu mandato, mas o encontrou como vice em 2013, na Jornada da Juventude. Em 2017, já presidente, convidou Francisco ao Brasil, mas o papa recusou e, em carta, pediu atenção aos pobres nas reformas.

Jair Bolsonaro não teve encontros oficiais com o papa Francisco. Em fevereiro de 2020, o o pontífice divulgou uma mensagem em favor da proteção da Amazônia. Nas redes sociais, disse: “Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida.”

Bolsonaro reagiu criticamente ao comentário: “A Amazônia é nossa. Não é como o papa tuitou ontem, não, tá?”, indagou o então presidente.

Dois anos depois, a relação ganhou um tom mais cordial quando o papa enviou uma mensagem de pesar pela morte da mãe de Bolsonaro, elogiando seu testemunho cristão. Em 2021, ambos estiveram em Roma para a cúpula do G20, mas não se encontraram.