Lula: no dia da taxação de Trump, filhos de Bolsonaro agradeceram nas redes
Comércio dos EUA sugeriu na segunda (1º) a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros; Lula associa anúncio a Flávio, chama o senador de "imbecil" e volta a dizer que irmãos Bolsonaro são "traidores"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou nesta terça-feira (2) que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) agradeceram ao presidente norte-americano Donald Trump quando o Estados Unidos anunciaram tarifas contra as importações brasileiras. À época, a medida ficou conhecida como "tarifaço".
"Eu fiz questão de escrever artigo, de conversar com o presidente Trump e foi muito engraçado, porque, no dia que ele taxou, eu vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro fizeram: os meninos do Bolsonaro, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho, prestem atenção, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos o Magnitsky'", declarou Lula.
Durante evento no campus do IFG (Instituto Federal Goiano), em Catalão, o chefe do Executivo leu publicações de 2025 do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nas quais os dois celebravam o tarifaço imposto por Trump à época.
O petista fez ainda menção à fala de Flávio mais cedo nesta terça (2). Em entrevista à Itatiaia, o filho mais velho de Jair Bolsonaro disse que pediu "expressamente" para que Trump não taxasse as empresas brasileiras. Os dois se encontraram na última semana, em Washington.
Lula rebateu a declaração. "Todo covarde é assim. Fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir [...] Ele hoje dizendo que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. 'Trump, porra, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula porque o Lula vai ganhar as eleições, num deixa, prejudica o Lula'. Imbecil", destacou.
O presidente associou a família Bolsonaro ao documento divulgado na noite de segunda-feira (1º) pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos).
O órgão propôs a imposição de tarifas de 25% sobre as importações do Brasil, exceto para mercadorias sujeitas às tarifas de "segurança nacional". A decisão final, no entanto, ainda cabe a Trump.
O petista citou ainda o encontro de Flávio com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. Segundo ele, o encontro aconteceu em meio às negociações entre os governos brasileiro e norte-americano quanto ao tarifaço, que começou a valer no primeiro semestre de 2025.
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. Foram pedir para um que país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês tem que dizer em alto e bom som: são traidores", destacou Lula, que voltou a associar Flávio à figura de Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira e conhecido como o principal traidor da história brasileira.


