Relação com Cuba é de "respeito", diz Lula após novas sanções dos EUA

Presidente pediu ainda que os EUA deixem "os cubanos em paz"; cidadãos brasileiros ligados à formulação do programa tiveram vistos revogados

Leticia Martins e Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo
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Um dia após os Estados Unidos sancionarem cidadãos brasileiros ligados ao programa Mais Médicos, lançado em 2013 pelo governo de Dilma Rousseff (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (14), que tem uma "relação de respeito com Cuba".

"É importante eles saberem que a nossa relação com Cuba é uma relação de respeito a um povo que está sendo vítima de um bloqueio há 70 anos e hoje está passando necessidade em um bloqueio que não há nenhuma razão. Os Estados Unidos fizeram uma guerra e perderam; aceitem que perderam e deixem os cubanos viverem em paz", disse Lula durante a cerimônia de inauguração de fábrica de hemoderivados da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) em Goiana (PE).

Lula pediu ainda para os sancionados não se preocuparem com o visto dos EUA porque "o mundo é muito grande, o Brasil tem 8,5 km². "Você tem lugar para andar no Brasil para caramba", acrescentou.

O Mais Médicos nasceu com o objetivo de levar médicos para áreas onde a oferta destes profissionais era escassa ou até inexistente. Em 2015, de 18,1 mil profissionais da medicina selecionados para o programa, 60% eram cubanos, segundo o Ministério da Saúde.

 

Os médicos cubanos vinham ao Brasil em convênio com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que ficava responsável por repassar os valores recebidos do governo brasileiro para Cuba, como uma intermediária.

No âmbito do convênio, o governo cubano repassava aos médicos apenas parte dos valores recebidos pela Opas, ficando, assim, com parte do dinheiro direcionado pelo Brasil.

Sanções dos EUA

Na quarta-feira (13), o Departamento de Estados dos EUA decidiu revogar e impor restrições de visto a pessoas ligadas à formulação do Mais Médicos, ex-funcionários da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e seus familiares.

De acordo com uma nota assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, a ação visa punir a “cumplicidade com o esquema de exportação de mão de obra do regime cubano, no âmbito do programa Mais Médicos”.

Entre os brasileiros citados pelo Departamento de Estado estão Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, que chefiava a equipe de Relações Internacionais do Ministério da Saúde em 2013.

As sanções ocorrem, segundo os EUA, devido ao papel central de Cuba no programa, já que o Mais Médicos gerou recursos ao país do Caribe.

"Como parte do programa Mais Médicos do Brasil, essas autoridades usaram a Opas como intermediária junto à ditadura cubana para implementar o programa sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando as sanções americanas a Cuba e, conscientemente, pagando ao regime cubano o que era devido aos profissionais de saúde cubanos", continuou a nota do Departamento de Estado.