Lula sobre combate ao crime: EUA precisam entregar Ramagem

Presidente comentou atuação entre os dois países contra o crime um dia após classificação do PCC e CV como terroristas

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, Lucas Schroeder, da CNN Brasil, São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta sexta-feira (29), estar disposto a trabalhar contra o crime organizado com o governo dos Estados Unidos, citando cooperação de Washington com a entrega de pessoas em território americano, como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem.

"O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado e vamos começar pelo seu estado, o Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí, vamos começar por entregar o [Alexandre] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá", declarou.

As falas do presidente ocorrem um dia após Washington emitir um comunicado em que classifica as facções criminosas Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas. A decisão gera preocupações no Planalto por possíveis intervenções americanas em solo brasileiro.

Lula já havia mencionado o tópico da cooperação com o governo americano no combate ao crime organizado após o encontro com o líder americano Donald Trump no início do mês.

Nesta sexta, além de Ramagem, Lula voltou a mencionar a solicitação a Washington da entrega de Ricardo Magro, considerado o maior sonegador de impostos do país por sua administração da Refit, com cifras que chegariam aos R$ 52 bilhões.

"Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Ricardo Magro. Eu entreguei pro Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA. Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta. Entreguei quatro documentos a ele [Trump]. Seu Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição nesse país, que não tem vergonha na cara de trair nossa pátria, de ir aos EUA pedir intervenção americana no Brasil", completou.