Lula tenta encaixar visita a Cristina Kirchner em viagem à Argentina
Advogado de defesa da ex-presidente pontuou que Lula não deve ser impedido de visitá-la
Com uma agenda apertada para participar da Cúpula do Mercosul, na próxima quinta-feira (3), em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta encaixar uma visita à ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner.
No mês passado, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse que o presidente petista falou para a política argentina, que cumpre prisão domiciliar em seu apartamento em Buenos Aires, que a visitaria em sua viagem.
A previsão é de que o petista chegue na quarta-feira (2) à Argentina, no final da tarde, e retorne ao Brasil na quinta-feira, após a cúpula. Os auxiliares do presidente reconhecem dificuldades em encontrar espaço para uma visita a Cristina.
Nas palavras de um diplomata brasileiro, ainda assim, Lula não desistiu de prestar solidariedade à ex-presidente de esquerda.
Até agora, porém, a equipe de Kirchner não confirma se solicitou autorização para que Lula possa realizar visita. Diplomatas brasileiros, por sua vez, afirmam que nenhum pedido foi encaminhado via Itamaraty.
A ex-presidente argentina teve que enviar à Justiça uma lista de pessoas do seu convívio, como médicos, advogados e familiares, que terão acesso livre ao seu apartamento. Outras visitas precisam ser autorizadas pelo tribunal.
A defesa de Kirchner reclamou da restrição, e uma audiência judicial foi marcada somente para o dia 7 de julho, após a visita de Lula, para resolver se ela poderá receber qualquer visita sem autorização.
Além de utilizar tornozeleira eletrônica, Cristina deve “abster-se de qualquer comportamento que possa perturbar a tranquilidade do bairro e/ou perturbar a convivência pacífica de seus moradores".
Nas últimas semanas, a frente do prédio dela, no bairro de Constitución, se tornou uma espécie de ponto turístico da esquerda, com a concentração de partidários e apoiadores.
Apesar do tumulto, ela não foi proibida de sair na varanda para cumprimentá-los.
Temendo argumentos que possam ser utilizados para revogar seu benefício domiciliar, no entanto, ela pediu para seguidores que parassem de fazer grandes manifestações no local.
O advogado de defesa da ex-presidente, Carlos Beraldi, pontuou que o presidente Lula não deve ser impedido de visitá-la.
Cristina foi condenada por suposta participação em um esquema de corrupção envolvendo 51 licitações de obras rodoviárias no sul argentino durante os governos da peronista.


