Lula volta a falar em "genocídio" e condena assentamentos na Cisjordânia

Em convenção do PSB, presidente afirmou que a ofensiva israelense busca impedir a criação do Estado palestino; Itamaraty também criticou a medida

Patrícia Nadir, da CNN, Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste domingo (1º) a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e voltou a classificar a guerra na Faixa de Gaza como um “genocídio”. Durante convenção do PSB, o petista afirmou que “nem o povo de Israel quer essa guerra”.

Segundo Lula, o conflito deixou de ser uma guerra e se tornou um massacre contra a população civil. “O que estamos vendo é um exército altamente militarizado matando mulheres e crianças. Isso não é uma guerra, é um genocídio”.

O presidente afirmou que a ofensiva israelense representa uma retaliação do governo de Israel à possibilidade de criação do Estado palestino. Na avaliação dele, por trás da ofensiva militar sob o argumento de combater o Hamas, há o interesse em assumir o controle da Faixa de Gaza.

Mais cedo, o Itamaraty também condenou a situação na Faixa de Gaza e criticou, “nos mais fortes termos”, o anúncio de que Israel aprovou a criação de 22 novos assentamentos na Cisjordânia.

A região é um território palestino ocupado por Israel desde 1967 e reivindicado pelos palestinos como parte de um futuro Estado. A expansão de assentamentos israelenses na área é um dos principais pontos de disputa do conflito que se arrasta há décadas.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a ampliação israelense representa uma “ilegalidade flagrante perante o direito internacional” e contraria parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça.

O governo Lula cita que, em 19 de julho de 2024, a Corte concluiu que a presença contínua de Israel nos territórios palestinos ocupados é ilegal e deve ser encerrada “o mais rápido possível”.

O Itamaraty afirmou ainda que as medidas adotadas pelo governo israelense equivalem, na prática, à anexação do território palestino ocupado e comprometem a implementação da solução de dois Estados.

Por fim, o ministério reiterou o apoio do Brasil à solução de dois Estados, que prevê a convivência de Israel e de um Estado palestino independente.