Maia pede ‘ordem legal’ a apoiadores de Bolsonaro após agressões a jornalistas

Manifestantes agrediram jornalistas durante ato pró-Bolsonaro neste domingo em Brasília; veja repercussão

Da CNN, em São Paulo

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu neste domingo (3) que as instituições democráticas imponham “ordem legal” a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, aos quais acusou de confundirem fazer polítca com “tocar o terror”. 

“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles”, disse no Twitter. “Minha solidariedade aos jornalistas e profissionais de saúde agredidos. Que a Justiça seja célere para punir esses criminosos”, emendou.
 

Milhares de manifestantes pró-governo fizeram carreata neste domingo (3) na Esplanada dos Ministérios, gritando palavras de ordem contra o presidente da Câmara e contra o Supremo Tribunal Federal. O ato, que contou com a participação de Bolsonaro, terminou em agressão contra jornalistas que faziam cobertura do evento.

“No Brasil, infelizmente, lutamos contra o coronavírus e o vírus do extremismo, cujo pior efeito é ignorar a ciência e negar a realidade. O caminho será mais duro, mas a democracia e os brasileiros que querem paz vencerão”, escreveu Maia.

Repercussão

Os ministros do Supremo Tribunal Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes também repudiaram as agressões.

“É inaceitável, é inexplicável que, no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel da imprensa”, disse Cármen Lúcia. “Não há dignidade sem liberdade. E não há liberdade sem sermos informados sobre o que acontece. Esse é um papel que a imprensa cumpre superiormente, por ser seu dever e por garantir a liberdade de cada um de nós”, completou a ministra.

“Dia da liberdade de imprensa. Mais que nunca precisamos de jornalismo profissional de qualidade, com informações devidamente checadas, em busca da verdade possível, ainda que plural. Assim se combate o ódio, a mentira e a intolerância”, postou Barroso no início da tarde em uma rede social”, postou Barroso em uma rede social.

“As agressões contra jornalistas devem ser repudiadas pela covardia do ato e pelo ferimento à Democracia e ao Estado de Direito, não podendo ser toleradas pelas Instituições e pela Sociedade”, escreveu Alexandre de Moraes, em uma rede social.

“As agressões aos jornalistas do Estadão são intoleráveis. Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, devemos lembrar que a atuação livre dos jornalistas é um pilar estruturante da nossa democracia. Que possamos superar a era do ódio que abala nosso país”, escreveu Gilmar Mendes, em uma rede social.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, criticou o discurso de Bolsonaro, que disse durante a manifestação ter chegado ao “limite” quanto a entraves no seu governo. 

“Peço a Deus que não tenhamos problemas essa semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa. Daqui pra frente não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição. não tem mais conversa”, disse o presidente.

Santa Cruz rebateu dizendo que a Constituição vale para todos, inclusive e sobretudo para Bolsonaro. 

“Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica.”

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro se manifestou pelas redes sociais. Moro afirmou que “democracia, liberdades – inclusive de expressão e de imprensa – Estado de Direito, integridade e tolerância caminham juntos e não separados”.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou os agressores de “milicianos ideológicos”. “São criminosos que atacam a democracia e ferem o Estado de Direito. A Justiça precisa punir esses criminosos”. 

Repórteres agredidos

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), ao menos dois repórters e dois fotógrafos dos veículos Folha de São Paulo, Poder 360, Estadão e Os Divergentes foram agredidos com “socos, empurrões e pontapés” neste domingo.

As entidades dizem que repudiam o ocorrido e pedem que as forças de segurança impeçam atos de violência contra os profissionais, principalmente durante as manifestações públicas. Afirmam ainda que “ofensas cotidianas à imprensa” feitas pelo presidente mobilizam o ódio e os ataques.

“Segundo levantamento publicado neste domingo  pela Fenaj, é o maior violador da liberdade de imprensa, com 179 agressões registradas somente nos quatro primeiros meses de 2020”, diz a nota.

 

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