Maia diz que prisão de secretário de SP é decisão ‘um pouco arbitrária’

Alexandre Baldy foi preso em operação da Polícia Federal que mira desvios na área da Saúde

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em cerimônia no Palácio do Planalto
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Adriano Machado/Reuters (17.jun.2020)

Noeli Menezes, da CNN

em Brasília

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira (7) que foi “surpreendido” com a prisão do secretário de Transportes do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, na quinta-feira (6). O deputado considerou a decisão da Justiça “muito bruta, muito dura” e “um pouco arbitrária” por ser embasada em fatos ocorridos há mais de seis anos.

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“Prender uma pessoa por fatos de seis, sete anos atrás, parece uma decisão um pouco arbitrária. Claro que toda vez que há um indício, temos o direito de nos defender, o Ministério Público, a obrigação de investigar, e a Justiça, de julgar. Mas uma decisão de um fato que não tem nenhuma relação com o momento atual, até porque a lei diverge disso, de fato é uma decisão dura, mas certamente o Baldy vai recorrer e fazer a sua defesa”, afirmou em entrevista ao Blog do Villa.

Questionado sobre os pedidos de impeachment do presidente da República apresentados na Câmara e que dependem de sua decisão, o deputado voltou a defender que não considera o momento atual para discutir pró e contra Jair Bolsonaro. E que não toma nenhuma decisão, nem mesmo de indeferir os pedidos, porque haveria o direito de recurso por parte de quem fez a representação.

“Como o julgamento é político e o tempo é o do presidente da Câmara, certo ou errado é isso que dizem a Constituição e as leis, o que eu entendo é que uma decisão agora, um indeferimento, traria para a plenário da Câmara o debate desse tema, e não o debate das urgências que o país precisa. Ter 50 processos não significa que tenham 50 processos embasados”, declarou.

Pandemia

Maia voltou a fazer críticas ao que considera um “erro” na relação da União com estados e municípios no enfrentamento à pandemia de Covid-19, “que é transformar a discussão do isolamento numa discussão prioritária da relação do governo federal com os entes federados”. Também criticou a defesa que Bolsonaro faz da cloroquina, pois “a questão do medicamento é do médico, e não do político”, e a “demora” do governo em tomar certas decisões econômicas no início da crise.

Segundo o deputado, não há no Planalto “um apetite para o debate” de redução dos gastos no pós-pandemia. “Por isso estou batendo na tecla de que o teto de gastos não pode ser modificado de jeito nenhum. Porque, senão, será como fizemos nos últimos anos. Toda vez aumenta a carga tributária e o tamanho do Estado.”

O democrata se disse cético sobre a privatização de quatro estatais ainda em 2020, conforme anunciou o ministro da Economia, Paulo Guedes, porque as vendas dependem de aval do Congresso. “Eu não sou otimista na possibilidade de privatizações neste ano porque adiamos as eleições e esse tema acaba ficando para o pós-eleição. Acho difícil conseguir aprovar quatro privatizações no Congresso nesse prazo que o ministro quer.”

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